| Divulgação |
 |
| Brad Pitt faz o papel de Aquiles em Tróia, a adaptação de Wolfgang Petersen para A Ilíada, de Homero |
 |
|
|
|
|
Brad Pitt é um homem de extremos. O galã de Hollywood entrou de cabeça no épico de aventura Tróia.
Pitt vai pôr fim a quase dois anos de ausência nas telas de cinema quando aparecer no papel do lendário guerreiro Aquiles na adaptação do clássico de Homero Ilíada, escrito três mil anos atrás.
Dirigido pelo alemão Wolfgang Petersen, o filme tem um elenco de milhares de pessoas, seguindo a tradição de outros épicos históricos como Ben-Hur e Spartacus.
Em um evento recente para divulgar o filme, Pitt disse aos jornalistas, em tom nostálgico, que, durante seus dois anos de folga criativa, tratou o tempo como "dias sonolentos de domingo, como um cão estendido na varanda de casa".
Mesmo durante essa folga, porém, ele continuou a atrair a atenção do público, sendo destaque das revistas de celebridades, ao lado de sua mulher, a atriz Jennifer Aniston.
Para atuar em Tróia, Brad Pitt mergulhou num treinamento físico intenso por oito meses, tendo ganho cinco quilos de músculos e aperfeiçoado seu corpo de maneira que não passará desapercebida de sua legião de fãs.
"Desde que De Niro engordou 27 quilos para fazer Touro Indomável, ele criou uma padrão. Na realidade, ele ferrou todos nós", disse Pitt, falando da maneira como atores "se transformam" em um personagem. "Eu realmente dei duro."
"Provavelmente outro fator que me motivou foi uma crise de meia-idade que se aproxima", acrescentou o ator de 40 anos, que agora entrou em um ciclo pesado de trabalhos.
Ele acabou de rodar Mr. and Mrs. Smith, ao lado de Angelina Jolie, e está filmando Ocean's Twelve, a sequência de Onze Homens e um Segredo, de 2001.
Sem os Deus de Homero
Tróia tem duas horas e 43 minutos de duração, foi filmado em Malta, México e estúdios de Londres, ao custo de mais ou menos US$ 200 milhões.
O filme inclui inúmeras cenas sangrentas de combate com espadas e lanças, além de retratos pessoais contundentes da busca por glória, honra, cobiça e amor.
Estão ausentes no longa-metragem os deuses, que no clássico de Homero conduziam a ação. No épico filmado, o que acontece está inteiramente nas mãos dos homens.
"Eu realmente queria me concentrar nos humanos. Tudo muda quando se tem deuses participando", disse o roteirista David Benioff, que também queria limitar os efeitos especiais computadorizados.
Brad Pitt atua frente a frente com Eric Bana, astro de Hulk, no papel do honrado Heitor. O elenco também inclui o jovem galã Orlando Bloom, de Piratas do Caribe e O Senhor dos Anéis, e o veterano astro Peter O' Toole. No papel da rainha de Esparta, Helena, quem desencadeia a Guerra de Tróia, está a novata alemã Diane Kruger.
A filmagem da crônica da guerra entre os gregos unificados e a cidade de Tróia enfrentou suas adversidades próprias. A produção de Petersen sofreu os efeitos de um furacão no México, que destruiu o set de filmagens, e de um ferimento em Brad Pitt, que ficou fora de ação por dois meses, ironicamente por ter ferido seu tendão de Aquiles durante uma das cenas de luta.
Trajes curtos
O diretor Petersen disse que ficou impressionado com a dedicação de Pitt à estética física de Aquiles e surpreso com sua abordagem intelectual.
"Sua maneira de atuar é muito diferente da de outros com quem já trabalhei", disse Petersen, diretor de Mar em Fúria (com George Clooney), Na Linha de Fogo (com Clint Eastwood), Força Aérea Um (Harrison Ford) e Epidemia (Dustin Hoffman).
"Pitt queria reduzir o diálogo ao mínimo. Ele gostava de falar pouco, e isso ajudou a recriar a magia de Aquiles. Ele é um ator que se reduz para poder ganhar uma dimensão maior."
O físico de Pitt é mostrado constantemente no filme, em figurinos reduzidos de época e em cenas de nu cuidadosamente filmadas.
"Foi um papel interno, um personagem muito isolado. Em Malta, consegui uma casa velha de pedra, de séculos de idade, sem ar condicionado, e lá vivi uma vida monástica. Isso confere a você aquele algo a mais, aquela mentalidade, aquela solidão."
Os criadores de Tróia acham que a fascinante história de Homero, que perdura há séculos, ainda vai encontrar ressonância junto ao público.
"Acho que, nos últimos três mil anos, nenhum escritor descreveu os horrores da guerra de maneira mais explícita e exata do que Homero", disse Petersen.
"Mas também havia uma ética envolvida. Mesmo em um mundo em guerra, as pessoas tinham um código de ética, uma moral, uma honra."
|