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Cannes 2004
Segunda, 17 de maio de 2004, 13h47 
Mick Jagger prestigia Michael Moore em Cannes
 
Redação Terra com EFE
 
Reuters
Mick Jagger prestigiou o novo filme de Michael Moore
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O documentarista americano Michael Moore foi prestigiado pelo roqueiro Mick Jagger e pela princesa Caroline de Monaco ao apresentar em Cannes seu mais novo documentário, Farenheit 9/11. Em uma sessão concorrida, Moore ainda conversou com a imprensa para explicar as diferenças entre Tiros em Columbine (seu filme anterior que ganhou o Oscar de Melhor Documentário) e Farenheit 9/11.

Fotos: personalidades prestigiam Moore em Cannes!

Moore disse que em Tiros em Columbine havia mostrado os efeitos do medo individual. Em seu novo documentário, Farenheit 9/11, Moore estuda o que ocorre com o terror coletivo que é induzido desde o Estado para poder manipular os cidadãos. O diretor também agradeceu a retirada da Espanha do Iraque e a atitude da França e da Alemanha contra a guerra.

Ele acrescentou que os EUA devem abandonar esse país árabe e deixar que outros ajudem em sua reconstrução.

Na entrevista coletiva, ele apresentou seu documentário Farenheit 9/11, no qual defende que George W. Bush chegou ao poder graças a manipulações eleitorais de seus parentes e sócios e que a guerra do Iraque foi planejada por razões econômicas com o objetivo de obter o petróleo desse país.

O filme, que compete em Cannes pela Palma de Ouro, analisa os discursos do presidente dos EUA e os contrapõe a imagens e depoimentos que contradizem suas palavras.

Ele revela as relações pessoais e financeiras que unem a família Bush e seus sócios à família real da Arábia Saudita e à família Bin Laden.

O documentário apresenta como prova destas estreitas relações que depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e quando o espaço aéreo dos EUA estava fechado, membros da família Bin Laden puderam deixar o país sem serem interrogados pelo FBI (polícia federal).

Moore também disse que, na sua opinião, houve uma tentativa da Casa Branca de censurar seu trabalho.

Ele relatou que chegou a um acordo e assinou os papéis correspondentes com a produtora Icon e de repente, um dia o chamaram para dizer que não tinham interesse em seguir adiante.

Segundo um funcionário da Icon, a ordem chegou de um legislador republicano próximo à Casa Branca. "Isto é a única coisa que sei", garantiu o cineasta.

"Na fita quis mostrar o que nos aconteceu depois dos atentados terroristas de 11 de setembro. E o fiz com humor porque acho que é preciso saber rir em épocas dramáticas. Neste caso, o cômico é Bush; eu sou uma pessoa séria".

Moore comentou que em seu documentário aparecem muitas imagens e testemunhos dos soldados e suas famílias que a população, "principalmente dos EUA, nunca viu".

Perguntou-se depois por que, se ele pode mostrar todas essas imagens, as grandes redes de televisão, que têm muitos mais recursos, não o fazem em seus telejornais.

Também se perguntou por que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o qual considera um homem inteligente, colabora com Bush. "É a dupla mais estranha que já vi", opinou.

Na opinião de Moore, "Bush despreza os soldados que enviou a uma guerra ignóbil".

"Em meu filme anterior, Tiros em Columbine (Bowling for Columbine, 2002), mostrei os efeitos do medo individual. Neste, estudo o que ocorre com o terror coletivo que é induzido desde o Estado para poder manipular os cidadãos".

"Se o povo acha que está ameaçado, abre mão de sua liberdade para ser protegido. Isto é o que acontece nos EUA", concluiu.
 

EFE

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