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Cinema e DVD
Quinta, 21 de agosto de 2008, 07h57 
Ator de 'Central do Brasil' volta em novo filme
 
Rubia Mazzini
 
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Vini tem 23 anos, estuda Comunicação Social na PUC-Rio e planeja ser diretor de cinema como seus ídolos, Steven Spielberg e Clint Eastwood. Quem o vê andando pela Gávea sorridente, camiseta de grife descolada e mochila nas costas, talvez não reconheça o menino franzino, que há dez anos emocionou platéias do mundo inteiro no premiado Central do Brasil.

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Mas a partir de 5 de setembro o público poderá se reencontrar com Vini, ou melhor, Vinícius de Oliveira, novamente em um filme de Walter Salles.

Em Linha de Passe, que o cineasta co-dirige com a parceira Daniela Thomas, o ex-engraxate interpreta um dos quatro filhos da doméstica Cleusa (Sandra Corveloni, eleita melhor atriz no Festival de Cannes pelo papel).

O Dario de Oliveira é um aspirante a jogador de futebol que, como muitos brasileiros, vê no esporte a chance de melhorar de vida. Ele é habilidoso, mas ainda não conseguiu vaga em um time profissional e está prestes a fazer 18 anos, idade-limite para participar das 'peneiras' - testes em que os clubes escolhem jogadores para seus times de base.

Oliveira diz que sempre foi "bom peladeiro", mas ao receber o convite de Salles para o papel, em 2002, decidiu se aprimorar. Freqüentou a escolinha de Zico no Recreio dos Bandeirantes por três anos e 'estagiou' por dois meses nos juniores do Santo André e do Palmeiras.

"Gosto muito de futebol e nunca vi um filme com cenas decentes do esporte, então me preparei", conta o rubro-negro, que sonhava ser como o ídolo Romário quando foi descoberto por Walter Salles engraxando sapatos no Aeroporto Santos Dumont.

"Tenho a imagem desse encontro muito fixa na cabeça. Nunca vou esquecer", afirma Oliveira. Além do papel de Josué, na época de Central o menino recebeu de Salles a promessa de ter os estudos pagos até completar a faculdade.

Cursando o 2º período de Comunicação, ele diz que o "padrinho" está sempre em contato. "Ele me liga para saber se estou indo bem, levando a sério. Essa semana faltei à aula por um compromisso do filme e ele reclamou. 'Ô, Vini, se soubesse que era na hora da sua aula tinha falado para remarcar'", conta.

Além dos planos de ser diretor "bem mais pra frente", Oliveira quer voltar a atuar na televisão - fez Suave Veneno e Carga Pesada e estará na minissérie Alice, da HBO.

"Tirei a sorte grande lá atrás, mas acho que soube agarrar a oportunidade. Agora quero dar uma consolidada na carreira", avisa. Até surgir uma oportunidade, ele se dedica a Linha de Passe, que fez sucesso em sua passagem pelo festival francês.

"Foi emocionante ver a sessão lotada e, no fim, duas mil pessoas aplaudindo de pé durante 9 minutos. Depois, muita gente veio nos elogiar, dizendo que parecia tudo muito verdadeiro", lembra, abrindo um sorriso orgulhoso.

Menino pobre vindo de ONG
Com roteiro de Daniela Thomas e George Moura, Linha de Passe acompanha a rotina de quatro irmãos que vivem com a mãe, grávida do quinto filho, em um bairro na periferia de São Paulo. Do elenco principal, apenas Vinícius de Oliveira tinha experiência em cinema. Sandra Corveloni, a matriarca da família, é uma experiente atriz de teatro em São Paulo.

Intérprete do motoboy Dênis, o primogênito da família, João Baldasserini estuda na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Foi a partir de um convite de João que José Geraldo Rodrigues trocou a faculdade de psicologia pelo teatro. No filme, José encarna Dinho: dono de passado nebuloso, tornou-se evangélico fervoroso e trabalha como frentista.

Já Kaíque dos Santos, que rouba a cena várias vezes, vive o caçula Reginaldo. Único negro da família, descobre que o pai é motorista de ônibus e sai por São Paulo à procura dele, entrando em todo coletivo que vê pela frente.

Kaíque foi selecionado em testes quando freqüentava uma ONG para crianças de baixa renda. "Eu me vi bastante nele, por causa da história de vida. E o moleque é espontâneo e inteligente pra caramba. Sempre que o elenco se encontra, eu 'colo' no Kaíque", derrete-se Oliveira.
 

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