| Daniela Thomas /Divulgação |
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| Daniela Thomas e Walter Salles comandam elenco de 'Linha de Passe' |
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O brasileiro Walter Salles exibiu seu novo filme, Linha de Passe, dirigido também por Daniela Thomas, em uma sessão exclusiva para a imprensa na manhã desta sexta-feira. Em entrevista com os veículos da mídia paulistana, o cineasta ressaltou a importância de ampliar o cinema brasileiro, tirando-o das favelas e abrindo novas discussões relacionadas não só à realidade social do País.
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"Eu estava conversando com Fernando Meirelles, que disse que mostramos um lado que não era falado anteriormente no cinema e ao público. Agora precisamos ampliar as fronteiras", disse o diretor, que em Linha de Passe resolveu tirar os conflitos sociais do Rio de Janeiro e move-los para a maior cidade do Brasil, São Paulo.
"Eles (o público) falam que só estamos olhando para uma direção, mas eu acho que se não tívessemos, iam dizer que não estamos cumprindo papel social", disparou. "O primeiro roteiro feito para Linha de Passe se passava no Rio. Eu amo o Rio, mas a ausência do poder público criou aquela relação entre morro e asfalto."
"São Paulo, por toda a extensão que ela tem, nos permite criar meios-tons. O filme trata da recuperação de identidade. Se reinventar nesta geografia parece mais plausível do que se reinventar em qualquer outra cidade do Brasil", garante.
O filme conta a história de uma mãe solteira, grávida de um homem desconhecido, que cuida de seus quatro filhos em uma casa de periferia. Um deles, Dênis (João Baldasserini), é um motoboy que tenta fugir de suas responsabilidades como pai e sai em busca de dinheiro fácil. Dario (Vinícius de Oliveira) sonha em ser um jogador de futebol, mas já está velho para cumprir as exigências dos clubes paulistanos.
Outro filho, Dinho (José Geraldo Rodrigues) segue a igreja evangélica em busca da própria salvação, ao mesmo tempo que batalha por uma vida honesta. Reginaldo (Kaique de Jesus Santos), o mais novo, é o único negro dos irmãos e, sentindo-se rejeitado, sai em uma busca incessante pelo pai, cuja única informação válida é de que ele era um motorista de ônibus.
Projeto Apaixonado
Fruto de uma parceria entre Walter Salles e Daniela Thomas, Linha de Passe demorou mais de cinco anos para sair do papel e virar filme.
O longa-metragem marca a volta às telas do ator Vinícius de Oliveira, descoberto por Salles em Central do Brasil, que desde que foi escalado para o papel de um jovem que sonha em ser jogador de futebol, passou a fazer aulas na escola do ex-jogador Zico, no Rio de Janeiro.
A relação de paixão que Salles e Daniela mantiveram com seu elenco é admirável. Todos eles foram escolhidos a dedo, depois de várias sessões de teste. No processo de filmagem, os cineastas deixaram até que os atores improvisassem nas cenas mais descompromissadas.
"Tenho que dizer que o Kaique Santos (que vive o irmão caçula da família, Reginaldo) dirigiu uma das cenas", brincou.
Kaique foi uma das grandes descobertas da produção de Linha de Passe, que foi procurar candidatos em diferentes ONGs paulistanas, entre elas uma no Capão Redondo, onde o ator-mirim foi encontrado.
Com tanta espontaneidade na escolha dos atores, não é à toa que Sandra Corveloni ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes. Saída do teatro, ela convence como a mãe de quatro filhos querendo tirar sua vida da auto-destruição.
Linha de Passe estréia nos cinemas brasileiros no dia 5 de setembro. "É bom voltar à nossa língua", conclui Salles, depois de dirigir filmes como Diários de Motocicleta e Água Negra fora do País.
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