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O filme The Wrestler, do diretor americano Darren Aronofsky, projetado nesta sexta-feira em competição no Festival Internacional de Cinema de Veneza e que tem Mickey Rourke como protagonista, é uma prova de que a história do boxeador acabado ainda funciona.
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» Confira a programação Tecnicamente, Rourke não é um boxeador, mas sim um desses lutadores de luta livre, porém para a história pouco importa esta variante, pois, como ele explicou em entrevista coletiva, o problema maior é abandonar aquilo que se gosta depois de vários anos. Além disso, para a perfeição do filme, foi excelente que o atípico ator americano tenha se dedicado durante anos ao boxe profissional após sua erótica história com Kim Basinger em 9 1/2 semanas de Amor (1986). Rourke reconheceu que "infelizmente" tinha "muitos paralelismos" com a personagem, pois "há 15 anos havia atirado ao lixo" sua carreira. The Wrestler mostra Randy Robinson, um lutador no final da carreira profissional, que começa a lutar em ringues de terceira categoria e a apresentar problemas de saúde devido aos anos em que praticou o esporte. Randy começa então seu particular acerto de contas com a vida. Uma filha abandonada, interpretada por Evan Rachel Woods, e uma solidão na pobreza que ele tenta superar com o amor de uma stripper, interpretada por Marisa Tomei. Definitivamente, o filme é um clássico, mas funciona e mostra que, após seu fracasso com The Fountain, Aronofsky encontra outra vez o caminho e é capaz de prender o espectador. O filme colocou Rourke entre os favoritos para a Copa Volpi de melhor ator do evento, ao mesmo tempo em que impulsionou sua carreira, que começou com Spun - Sem Limites (2002) e Sin City - A Cidade do Pecado (2005), filme pelo qual foi bastante elogiado. O filme tem, inclusive, uma leitura metafórica sobre os Estados Unidos, mas também faz menção aos vários conflitos de que o país participa. Outro dos filmes que foram vistos nesta sexta em Veneza foi Il Seme della Discordia, o quarto trabalho do italiano Pappi Corsicato e o que reforçou as críticas contra o viés nacionalista do festival. Trata-se também do terceiro filme italiano em competição produzido pela Mediaset, a companhia audiovisual de Silvio Berlusconi, primeiro-ministro do país. O filme narra a história de Veronica, interpretada pela atriz Caterina Murino, que fica grávida supostamente após um estupro, no mesmo momento em que seu marido descobre que é estéril. Da mesma forma que o diretor italiano Ferzan Ozpetec, também em competição, que se dedicou a falar do amor apaixonado em Un Giorno Perfetto em vez de refletir sobre a violência, Corsicato não fala dos traumas do estupro ou do aborto, mas do amor e da fidelidade entre o casal. "São assuntos importantes que Corsicato trata de sua maneira, que é a agilidade", explicou em coletiva de imprensa Caterina, que disse ter demorado a entender essa forma de fazer cinema. Ágil é também o tratamento do machismo no país com menor representação parlamentar feminina de toda a União Européia (UE). Na primeira cena do filme aparecem pernas de mulheres com saltos, e na segunda são mostradas cenas de meio corpo, mas não aparecem cabeças. Quanto à estética do filme, todos os críticos em Veneza concordaram em dizer que é a mesma do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, com quem trabalhou em Ata-me (1990), observação que não agradou Corsicato durante a entrevista, quando foi perguntado sobre tal semelhança. O diretor de cinema fez um gesto como se estivesse atirando quando lhe fizeram a pergunta, mas imediatamente disse estar brincando e explicou que todos os diretores têm influências de outros, mas com suas características particulares.
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