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Cinema e DVD
Quarta, 8 de outubro de 2008, 18h23 
'Quatrocentos festivais por ano não dá', afirma Luiz Carlos Barreto
 
Luiz Carlos Barreto*
 
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Os Festivais de Cinema são necessários e bem-vindos. São pontos de encontro entre cineastas, produtores, atores, técnicos. Enfim, a comunidade cinematográfica se encontra para trocar idéias, ver e mostrar filmes uns para os outros e também para o público. Por tudo isso, e mais outros fatores, os festivais representam, na maioria das vezes, comunhão e celebração.

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Convenhamos, porém, que 400 festivais por ano não dá para aceitar. É overdose que pode produzir efeito bumerangue; ou seja, saturam o prazer de quem faz e de quem vê os filmes.

Os critérios de seleção para preencher as grades de programação dos festivais ficam frouxos, sem rigor.

No plano concreto também, pode-se enumerar vários pontos negativos: a pirataria se alimenta e nasce no seqüestro e extravio de cópias dos vários locais onde se realizam os festivais. Este é um dado já recolhido por muitas distribuidoras e produtoras.

Ao se adotar a qualificação dos festivais e mostras, vamos aumentar, em muito, a segurança dos filmes, uma vez que os festivais que obtiverem classificação A e B receberão instruções técnicas em forma de manuais para evitar atos de pirataria praticados em festivais.

Outro fator de preocupação é a canibalização da captação de recursos através das leis de renúncia fiscal, federais, estaduais e municipais que, segundo dados, ainda em fase de coleta, já ultrapassam os R$ 70 milhões por ano.

Esses recursos canalizados para festivais e mostras desfalcam de maneira expressiva a atividade de produção, correndo-se o risco, dentro de pouco tempo, de se ter que organizar festivais de reprises de filmes por falta de novos filmes.

É necessário que os organizadores desses festivais tenham capacidade para motivar as autoridades dos estados e municípios a entrar com parte do custeio dos festivais que se constituem em promoções culturais e turísticas para as regiões onde se realizam.

A exemplo do que ocorre no plano internacional, vamos exigir dos festivais e mostras que receberem a classificação A e B por parte dos produtores uma qualidade técnica de projeção de som e imagem do melhor padrão, além de níveis de organização de seminários, entrevistas coletivas, planos de divulgação na mídia, eficiência nos sistemas receptivos (hospedagem, programação social, etc.).

Nós, produtores, entendemos que festivais como Gramado, Brasília, Recife, Fortaleza, Natal, Manaus, e agora Curitiba, onde o Governo instalou um processo de desenvolvimento cinematográfico, podem servir de padrões para os demais festivais e mostras.

Os festivais de Miami, Rio de Janeiro, a Mostra de São Paulo, que optaram por um formato internacional, são também exemplos de eficiência e profissionalismo.

Para falar de difusão e formação de público, podemos citar as mostras volantes do Cinema Universitário e a mostra organizada por Laís Bodansky ao longo de rodovias, a mostra seletiva de Tiradentes. Dentre os mais de 400 festivais e mostras que acontecem por esse Brasil afora, quantos deles exercem papel semelhante?

O que se objetiva é racionalizar a existência e a função dos festivais dos quais nós, produtores, somos parceiros e fornecedores da programação.

Parcerias só se fazem e só obtêm resultado quando ambas as partes têm seus direitos e deveres respeitados.

Os organizadores dos verdadeiros festivais, e que atuam num nível de eficiência e profissionalismo, devem esse mínimo de racionalização e não deixar que os festivais se tornem apenas um bom negócio para alguns que os promovem.

Assumo mais esta luta respaldado pelos mais de 80 filmes produzidos e co-produzidos nesses 45 anos de exercício da profissão de produtor cinematográfico.

Luiz Carlos Barreto é cineasta e produtor (especial para o Jornal do Brasil)
 

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