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| Austrália é estrelado por Hugh Jackman e Nicole Kidman |
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Australia é um filme pintado a pinceladas largas, e de vistas grandiosas. Não se trata apenas de uma saga sobre um lugar geográfico, mas de uma saga sobre uma tradição cinematográfica.
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A aventura romântica dirigida pelo diretor Baz Lurhmann se passa sob os céus meridionais da Austrália nos anos que antecedem a Segunda Guerra Mundial, e traz como astros os australianos Nicole Kidman e Hugh Jackman.
Kidman interpreta uma aristocrata inglesa, Lady Sarah Ashley; Jackman interpreta The Drover, vestindo as roupas empoeiradas e ostentando a barba por fazer de um vaqueiro especializado em tanger gado.
A história começa com a jornada de Lady Sarah para a Austrália, à procura do marido, já que ela acredita que a volta dele para a Inglaterra havia sido adiada devido a outros motivos que não a venda da imensa fazenda que o casal controla no país, chamada Faraway Downs.
The Drover vai apanhá-la no porto em que desembarca, Darwin. Ele primeiro conduzirá Lady Sarah a Faraway Downs, e depois conduzirá o gado da fazenda para o mercado.
Mas o público evidentemente sabe muito antes dos personagens para onde Lady Sarah e The Drover irão. Os personagens de Kidman e de Jackman brigam, se engalfinham e bufam de raiva, mas o destino determinou que terminarão juntos.
E o destino do casal está completamente interligado à magia da terra que eles atravessam em sua jornada. A aventura que os une está repleta de conflitos, personagens fascinantes e vistas encantadoras, entre as quais uma imensa multidão de cangurus avançando aos saltos pelos sertões australianos.
Australia representa igualmente um retorno aos filmes épicos que capturaram a imaginação do diretor Luhrmann em sua infância. A família dele era dona de uma fazenda, mas também teve entre seus negócios um cinema instalado em uma cidade madeireira do interior australiano. Pouco admira, portanto, que o narrador de Australia seja uma criança.
O que surpreende no filme é a maneira pela qual o roteiro (escrito por Luhrmann, Stuart Beattie, Ron Harwood e Richard Flanagan) procura levar em conta a compreensão moderna quanto aos males causados pela colonização.
Australia é uma saga de fronteira característica, envolvendo os nativos e os intrusos, e trata também de uma disputa pelo poder e pelos recursos naturais. Mas, em meio à trama desse épico aparentemente antiquado, o fio condutor é a transferência forçada de crianças aborígenes mestiças para escolas religiosas dirigidas por brancos ¿as crianças são retiradas de sua cultura nativa para serem educadas de maneira que lhes permita ¿salvação¿.
O estreante Brandon Walters interpreta Nullah ¿uma criança conhecida no jargão local como ¿creamy¿, filho de um homem branco e de uma mulher aborígene. O pai do menino é um dos mais violentos protagonistas da saga.
O avô do menino é conhecido como rei George, um aborígene que testemunha boa parte da ação. Interpretado pelo renomado músico e dançarino australiano David Gulpilil, ele tem uma dupla função, por um lado realista e por outro de realismo mágico.
Lorde Ashley não estava tendo um caso, ao contrário do que sua mulher acreditava. Na verdade, ele havia sido assassinado, aparentemente por ação do rei George.
King Carney (Bryan Brown) é um barão do gado cujo monopólio estará garantido assim que ele remover Faraway Downs da equação.
O administrador da fazenda em Faraway Downs, Fletcher (David Wenham) é seu futuro genro e colega de conspiração.
As brigas se iniciam no interior dos saloons e logo se despejam porta afora para as ruas empoeiradas. Os cobiçosos conspiram entre si mas mal conseguem disfarçar o desdém mútuo que sentem. Os nativos, nobres e nem tanto, povoam a narrativa. O ator australiano Jack Thompson interpreta o papel de um bêbado honrado em meio ao périplo do gado. Um cozinheiro chinês chamado Sing Song (Yuen Wah) prova que Luhrmann não consegue escapar a todos os estereótipos do cinema do passado.
Mais que um faroeste, Australia é um musical sem canções. As emoções são vastas, o ritmo é ousado.
Ninguém sai cantando (não literalmente), ainda que os cânticos tribais afirmem seu poder narrativo e seus poderes sobrenaturais. E o diretor aproveita elegantemente o prelúdio composto por Bernard Herrmann para O Rei e Eu. Over the Rainbow, o clássico de Harold Arlen e Yip Harburg, oferece uma conexão ainda mais vital para um determinado momento da trama, quando Sarah canta a balada para Nullah.
Kidman oferece uma interpretação tocante de uma mulher cujo coração é conquistado por uma criança que a inspira a combater a intolerância de seus pares. O elo entre Ashley, Nullah e The Drover é a chave para os encantos cumulativos do filme.
Com bem mais de duas horas, Australia é um filme longo ¿ tão longo, na verdade, que chega a oferecer um punhado de finais diferentes.
Isso poderia ter representado um problema. Mas, ao contrário, suscita uma questão: se um filme oferece múltiplos finais e o espectador chora em cada um deles, será que isso representa um fracasso da vontade narrativa ou um triunfo do sentimentalismo adocicado? No caso de Australia, meu voto é para a segunda opção.
Tradução: Paulo Migliacci
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