Auto-retrato de Mike Deodato Jr.
Foto: Reprodução/Divulgação
Especial sobre o filme!
Para Deodato, grande parte do sucesso do filme é mérito do diretor Sam Raimi. "Ele tem um estilo bem 'quadrinho' e soube dar uma dinâmica adequada", avaliou o artista durante entrevista exclusiva concedida ao Portal Terra. O mesmo toque de HQ de Raimi, diretor de clássicos do cinema-trash como Evil Dead, não existe em Ang Lee, o taiwanês que dirigiu Hulk, um fracasso na opinião de Deodato.
O maior brasileiro das HQs
Mike Deodato Jr. é o nome artístico de Deodato Taumaturgo Borges Filho, paraibano nascido em Campina Grande e, certamente, o maior nome brasileiro da história no universo dos quadrinhos. A opinião de Deo - como é apelidado nos EUA - sobre os dois heróis conta tanto quanto a de Stan Lee, criador de ambos os personagens. É que antes de assumir o posto de desenhista oficial da revista do Homem-Aranha, Deodato era o titular do gibi do Incrível Hulk.
Há poucas semanas, sua primeira edição como novo desenhista do aracnídeo chegou às bancas. Assim como quando assumiu a revista do Incrível Hulk, Deodato teve a missão de substituir o traço de John Romita Jr., uma unanimidade dentro do universo das HQs. A parceria com o roteirista Bruce Jones acabou, e agora quem escreve para Deodato é J. Michael Straczynski, autor de inúmeros capítulos da série Babylon 5.
"No começo eu fiquei meio preocupado em trocar o Bruce pelo Straczynski. Mas ele também escreve muito bem e tem muita experiência nas coisas que faz para a TV", revela. Atualmente morando em João Pessoa, Deodato agregou mais um brasileiro em sua trupe: o arte-finalista José Pimentel. "Eu mando os desenhos para o Pimentel por correio e ele me devolve finalizado. Aí escaneio e envio para a Marvel por e-mail", explica.
O traço de Deodato é extremamente particular e altamente adaptável ao personagem. Quando fazia o Hulk, não economizava na massa muscular e dava características ainda mais colossais ao gigante verde. Já com o Homem-Aranha, Deo dá mobilidade supra-humana a Peter Parker e em alguns momentos seus desenhos se assemelham aos de Todd McFarlane.
Celebridades nas histórias
Outro detalhe interessante na arte de Deodato são os rostos conhecidos. Assim como o colega de desenhos Alex Ross, o brasileiro também usa as feições de celebridades para dar mais realismo a seus personagens. Uma observação mais atenta em seu Peter Parker poderá revelar um rosto conhecido: o do ator Jason Priestley, o Brendon da série Barrados no Baile. Já Mary Jane é uma versão ruiva de Liv Tyler.
Em tempos de Homem-Aranha nas telonas, por que não usar o ator Tobey Maguire, que vive o herói nos filmes? "Ele é muito talentoso e captou perfeitamente o espírito do personagem, mas na hora de desenhar seu rosto ele fica com um ar abestalhado", diverte-se Deodato.
De Spirit ao cangaço
Quando é para relembrar suas principais influências, Deodato divulga uma lista de 'papas' do desenho como Neal Adams, Dick Giordano, Will Eisner (criador do famoso Spirit) e o saudoso John Buscema, um dos maiores desenhistas da Marvel na década de 70. "Por mais que eu tente mudar meu traço agora, o que me influenciou no começou é muito mais forte. Impossível perder estas características", conta.
O fato de ser nordestino também influenciou o artista brasileiro. Pelo menos um tema não sai de sua cabeça: o cangaço. O último trabalho de Deodato para o mercado brasileiro foi sobre cangaceiros e ele ainda planeja fazer uma história ilustrada sobre o movimento do sertão. "É um tema super legal para uma história. Tem a cara do Brasil", aposta.
Mas uma outra influência também está presente no currículo de Deodato. "Eu fiz muitos desenhos para histórias do meu pai. Ele foi a pessoa que mais me deu apoio. Como ele não teve tantas oportunidades como eu tive, acho que ele se realiza um pouco através de mim. Ele se orgulha da minha carreira." Motivo não falta!
- Redação Terra




Foto: Reuters 









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