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Cinema e DVD
Sábado, 3 de janeiro de 2009, 20h24 
Documentário sobre diplomata brasileiro vai a Sundance
 
Myrna Silveira Brandão
 
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Diplomata brasileiro e alto comissário para direitos humanos da ONU, Sérgio Vieira de Mello foi um profissional exemplar que pôs seu talento e capacidade de negociação na busca dos direitos fundamentais, da paz e da dignidade humana.

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Em 2003, foi indicado pelo então secretário-geral Kofi Annan para ser representante especial da ONU no Iraque, onde morreria em 19 de agosto daquele ano num atentado terrorista à sede da organização em Bagdá.

A vida e a trágica morte de Vieira de Mello inspiraram o diretor americano Greg Barker (Ghosts of Rwanda) a realizar o documentário Sérgio, que terá estréia mundial no Festival de Sundance - de 15 a 25 de janeiro em Park City, Utah (EUA) - na principal mostra competitiva do gênero.

Baseado na biografia Chasing the Flame, da jornalista Samantha Power (editado no Brasil pela Companhia das Letras no ano passado com o título O Homem que Queria Salvar o Mundo), e produzido por John Battsed (Um Dia em Setembro, de 1999) e Julie Goldman (Devil's Playground, de 2002), o filme segue a extraordinária carreira do brasileiro, que durou 34 anos desde sua atuação nas zonas de conflito da África e sudeste da Ásia até o Oriente Médio, interrompida brutalmente após a explosão de um carro-bomba estacionado em frente ao hotel que servia de embaixada provisória da ONU no Iraque.

"Sou americano, mas passei a maior parte da minha vida adulta vivendo fora do País. Para mim, Sérgio era um verdadeiro cidadão do mundo, que incorporava um idealista do qual hoje necessitamos desesperadamente - enaltece Barker, conhecido pela participação em Frontline, um dos melhores programas jornalísticos da TV americana.

Com entrevistas e depoimentos de um seleto grupo de seus mais próximos amigos e colaboradores, intercalados com assustadoras imagens filmadas no dia da explosão, o documentário recupera uma história de desafios, sucessos e tragédia.

"Enquanto investigava a história de Sérgio, eu me dei conta que ele tinha uma bagagem de 30 anos vivendo e pensando sobre os complexos assuntos globais que hoje encaramos", frisa o documentarista.

"Tinha também uma habilidade única para ir aos lugares mais perigosos do mundo e dialogar com os piores criminosos de guerra e, de alguma forma, proteger as vidas de pessoas comuns às quais ele devotou sua vida. Ele é um herói dos nossos tempos, a sua história merecia ser contada".

A biografia de Samantha Power despertou o interesse do diretor para a trajetória do diplomata, embora a força do filme seja seu próprio mergulho na história do brasileiro.

"Utilizei a extensa pesquisa de Samantha como ponto inicial, mas para mim a única maneira de trabalhar era imergir no material e descobrir a história pelas minhas próprias fontes", recorda Barker, que não teve dificuldades para conseguir os depoimentos dos amigos e profissionais que trabalharam com Sérgio.

"É parte do meu trabalho ganhar a confiança dos entrevistados e eu assumo essa responsabilidade seriamente. Sempre explico com clareza o que será o filme e estou sinceramente agradecido por tantas pessoas terem dividido suas memórias comigo".

Investigação do atentado
O documentarista aponta como diferencial do longa a diversidade dos depoimentos de quem conheceu o diplomata de perto:

"Sérgio era realmente um homem de personalidade complexa, o que fazia dele uma figura ainda mais fascinante. Algumas dessas nuances estão refletidas no filme".

O diretor procurou incluir no longa entrevistas que ajudassem a esclarecer fatos desconhecidos sobre o atentado e os riscos que a missão envolvia.

"Minha equipe e eu passamos muito tempo investigando a explosão e especialmente a razão de certos fundamentalistas islâmicos sentirem tanta hostilidade pela ONU e sua missão no Iraque", destaca.

"No filme, há uma entrevista com um amigo do terrorista jordaniano que se responsabilizou pelo ataque".

O diretor não acredita que filmes como o seu possam alterar a realidade dos conflitos globais, embora confie no poder que têm de mudar o pensamento da sociedade.

"Outro dia mostrei o filme para alguns amigos, que não sabiam nada sobre o Sérgio. Depois eles me disseram que não conseguiam tirar a história da cabeça", conta Barker.

"Minha esperança é que o filme não apenas toque as pessoas no nível emocional, mas também as faça refletir sobre como Sérgio encararia e lidaria com alguns dos problemas que vemos hoje no mundo. Para mim, este filme é, em última análise, a respeito da força de resistência do espírito humano".
 

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