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Cinema e DVD
Quarta, 11 de agosto de 2004, 14h44 
"Mergulhei no mundo dela", diz Camila sobre "Olga"
 
Reinaldo Marques/Terra
A atriz Camila Morgado ficou emocionada na première do filme em São Paulo
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Quando convidada para interpretar Olga Benário no cinema, a atriz Camila Morgado já havia lido a biografia da militante alemã escrita por Fernando Morais há muito tempo, mas não tinha se dado conta do "tamanho daquela mulher".

Veja as fotos da première de Olga em SP!
Assista ao trailer de Olga

"Mergulhei no mundo dela", contou a atriz a jornalistas nesta semana, após a exibição do filme para convidados em São Paulo. "Fui lendo tudo o que tinha a ver com a época, conheci mais a fundo os heróis da Olga e fiz aulas de alemão e russo."

Morgado passou também por um intenso treinamento físico para encarnar a heroína, além de perder sete quilos e ter que raspar o cabelo para as cenas que se passavam no campo de concentração.

"Tive que entender como é a vida de um militar, passava dez horas em treinamento. Fiz aula de tiro, defesa pessoal e tinha um personal trainer que me acompanhou no começo", disse.

O filme Olga, que estréia no próximo dia 20 em 250 salas de cinema em todo o país, conta a vida da revolucionária judia e sua história de amor com o líder comunista Luís Carlos Prestes.

O longa-metragem, orçado em 12 milhões de reais, marca a estréia do diretor Jayme Monjardim e de Morgado no cinema - a dupla trabalhou junto na minissérie A Casa das Sete Mulheres, da Rede Globo.

O ator Caco Ciocler, que vive Luís Carlos Prestes, tinha uma referência mitológica de seu personagem, mas, após pesquisar, descobriu que ele era uma pessoa extremamente tímida e recatada.

"Imagine um homem apaixonado pela primeira vez e virgem aos 37 anos... É muito mais interessante explorar a figura humana de Prestes do que a figura histórica que todo mundo já conhece", explicou Ciocler.

Além de Osmar Prado, que interpreta Getúlio Vargas pela terceira vez, o elenco conta com Fernanda Montenegro, na pele de dona Leucádia, mãe de Prestes, e a jovem atriz Mariana Lima, como Lygia, irmã de Prestes, que ainda vive no Rio de Janeiro.

A escritora Maria Adelaide Amaral, que tentou ficar anônima durante o evento, não quis opinar sobre o roteiro, mas elogiou a sintonia entre a dupla Ciocler e Morgado. "É um grande momento da Camila, ela está soberba!", disse ela à Reuters.

O diretor Monjardim, muito conhecido pelo seu trabalho como diretor de telenovelas, foi questionado pelos jornalistas sobre a influência de seu estilo televisivo no cinema, utilizando-se de closes, planos fechados e cenas entrecortadas.

"Não senti nenhum pudor de continuar contando a história do jeito que eu sempre contei na televisão. Se eu tivesse que refazer esse filme, eu faria exatamente igual", rebateu o diretor.

O filme se passa em três países - Alemanha, Brasil e Rússia -, mas todas as cenas foram realizadas no Rio de Janeiro, onde a equipe reconstruiu os cenários e usou locações diversas para reproduzir a arquitetura de cada lugar.

"Encontramos uma antiga fábrica inglesa desativada que funcionou como lugar perfeito para o campo de concentração", relembrou a diretora de arte Tiza de Oliveira.

O roteiro, escrito por Rita Buzzar, foi centrado na trajetória de Olga, deixando o contexto histórico como pano de fundo. Em conjunto com Monjardim, a roteirista optou por enfatizar o lado emocional da revolucionária alemã.

"Achamos que se as pessoas acreditassem no amor de Olga e Prestes, conseguiriam entender mais facilmente o impulso e as motivações dos protagonistas", explicou Buzzar.

Fernando Morais ficou totalmente satisfeito com todas as versões do roteiro, que ao todo foram sete. "Confesso a vocês que estava preparado para ver uma história totalmente diferente (...) porque livro é livro, e filme é filme", disse Morais.

"Mas ela (Rita Buzzar) usou pouquíssimas licenças poéticas e conseguiu manter o lado romântico do personagem sem desfigurar o lado histórico."
 

Reuters

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