| Reinaldo Marques/Terra |
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| A atriz Camila Morgado ficou emocionada na première do filme em São Paulo |
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Quando convidada para interpretar Olga Benário no cinema, a atriz Camila Morgado já havia lido a biografia da militante alemã escrita por Fernando Morais há muito tempo, mas não tinha se dado conta do "tamanho daquela mulher".
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"Mergulhei no mundo dela", contou a atriz a jornalistas nesta semana, após a exibição do filme para convidados em São Paulo. "Fui lendo tudo o que tinha a ver com a época, conheci mais a fundo os heróis da Olga e fiz aulas de alemão e russo."
Morgado passou também por um intenso treinamento físico para encarnar a heroína, além de perder sete quilos e ter que raspar o cabelo para as cenas que se passavam no campo de concentração.
"Tive que entender como é a vida de um militar, passava dez horas em treinamento. Fiz aula de tiro, defesa pessoal e tinha um personal trainer que me acompanhou no começo", disse.
O filme Olga, que estréia no próximo dia 20 em 250 salas de cinema em todo o país, conta a vida da revolucionária judia e sua história de amor com o líder comunista Luís Carlos Prestes.
O longa-metragem, orçado em 12 milhões de reais, marca a estréia do diretor Jayme Monjardim e de Morgado no cinema - a dupla trabalhou junto na minissérie A Casa das Sete Mulheres, da Rede Globo.
O ator Caco Ciocler, que vive Luís Carlos Prestes, tinha uma referência mitológica de seu personagem, mas, após pesquisar, descobriu que ele era uma pessoa extremamente tímida e recatada.
"Imagine um homem apaixonado pela primeira vez e virgem aos 37 anos... É muito mais interessante explorar a figura humana de Prestes do que a figura histórica que todo mundo já conhece", explicou Ciocler.
Além de Osmar Prado, que interpreta Getúlio Vargas pela terceira vez, o elenco conta com Fernanda Montenegro, na pele de dona Leucádia, mãe de Prestes, e a jovem atriz Mariana Lima, como Lygia, irmã de Prestes, que ainda vive no Rio de Janeiro.
A escritora Maria Adelaide Amaral, que tentou ficar anônima durante o evento, não quis opinar sobre o roteiro, mas elogiou a sintonia entre a dupla Ciocler e Morgado. "É um grande momento da Camila, ela está soberba!", disse ela à Reuters.
O diretor Monjardim, muito conhecido pelo seu trabalho como diretor de telenovelas, foi questionado pelos jornalistas sobre a influência de seu estilo televisivo no cinema, utilizando-se de closes, planos fechados e cenas entrecortadas.
"Não senti nenhum pudor de continuar contando a história do jeito que eu sempre contei na televisão. Se eu tivesse que refazer esse filme, eu faria exatamente igual", rebateu o diretor.
O filme se passa em três países - Alemanha, Brasil e Rússia -, mas todas as cenas foram realizadas no Rio de Janeiro, onde a equipe reconstruiu os cenários e usou locações diversas para reproduzir a arquitetura de cada lugar.
"Encontramos uma antiga fábrica inglesa desativada que funcionou como lugar perfeito para o campo de concentração", relembrou a diretora de arte Tiza de Oliveira.
O roteiro, escrito por Rita Buzzar, foi centrado na trajetória de Olga, deixando o contexto histórico como pano de fundo. Em conjunto com Monjardim, a roteirista optou por enfatizar o lado emocional da revolucionária alemã.
"Achamos que se as pessoas acreditassem no amor de Olga e Prestes, conseguiriam entender mais facilmente o impulso e as motivações dos protagonistas", explicou Buzzar.
Fernando Morais ficou totalmente satisfeito com todas as versões do roteiro, que ao todo foram sete. "Confesso a vocês que estava preparado para ver uma história totalmente diferente (...) porque livro é livro, e filme é filme", disse Morais.
"Mas ela (Rita Buzzar) usou pouquíssimas licenças poéticas e conseguiu manter o lado romântico do personagem sem desfigurar o lado histórico."
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