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| Selton Mello e Luana Piovani estrelam 'A Mulher Invisível' |
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Tudo bem que foi um pouco de covardia colocar uma franquia milionária defendida por um exército de robôs contra uma comédia estrelada por uma sedutora visão masculina do que seria a companheira ideal. Ainda assim, a produção brasileira A Mulher Invisível fez bonito em seu primeiro fim de semana em cartaz contra O Exterminador do Futuro: a Salvação, quarto capítulo da saga criada por James Cameron 25 anos atrás.
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Lançado em 200 salas, o filme dirigido por Cláudio Torres e protagonizado por Selton Mello e Luana Piovani atraiu cerca de 229 mil espectadores nos três primeiros dias em cartaz, perfazendo uma média de mil pessoas por sala. Espalhada por 486 cinemas, a milionária produção americana dirigida por McG e estrelada por Christian Bale vendeu cerca de 405 mil ingressos no mesmo período, ou mais ou menos 833 pagantes por sala.
"Podemos dizer que A Mulher Invisível teve uma performance muito boa, enfrentou muito bem seus maiores adversários no primeiro fim de semana, O Exterminador e o jogo entre o Sport e o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, no domingo - avalia Paulo Sérgio de Almeida, do site Filme B, que concentra dados sobre o mercado cinematográfico. "Acredito que o filme terá uma segunda semana igual ou melhor ainda, por causa do boca a boca e do feriado prolongado de Corpus Christi, na quinta-feira."
Além de conseguir a melhor média por sala, o desempenho de A Mulher Invisível confirma a tendência de crescimento do filme nacional este ano. Esta é corroborada pela performance de dois outros sucessos dessa primeira metade de 2009: Se eu fosse você 2, de Daniel Filho, encerrou carreira com mais de 6 milhões de espectadores; Divã, de José Alvarenga Jr., já dobrou a marca do 1,5 milhão.
O público dos dois campeões de bilheteria já soma mais de 7,7 milhões, o que representa 88% da soma de espectadores do filme nacional de 2008. Acrescido dos números de todos os títulos brasileiros lançados este ano até agora, este total ultrapassa o dos espectadores de 2008, que atingiu a casa dos 8,8 milhões. Projeções indicam que o audiovisual pátrio conseguirá reverter o ritmo de queda livre da participação do cinema brasileiro no mercado, que ano passado mal chegou aos 9% do total de ingressos vendidos no país. O recorde aconteceu em 2003, quando esta percentagem chegou a 21%.
Na boca do povo
"As chances de chegarmos ao patamar de 2004, quando a fatia do filme nacional no mercado global chegaram aos 16,4%. Mas o market share é relativo, depende dos lançamentos estrangeiros, do desempenho das próximas produções brasileiras a chegar ao circuito", pondera Almeida. "Se todos as produções brasileiras agendadas até o fim do ano tiverem um desempenho razoável, é bem possível que nos aproximemos dos 15% do total da bilheteria, o que representa um aumento significativo de 40% em relação ao ano passado."
Os realizadores de A Mulher Invisível compartilham o otimismo dos observadores do mercado. O entusiasmo da Conspiração Filmes, coresponsável, com a Lereby Produções, de Daniel Filho, pelo lançamento do filme de Torres, é amparado por um levantamento informal junto ao público.
"Na sexta e no sábado passados, a gente fez uma pesquisa nos cinemas que exibiam o filme no Rio e em São Paulo, para medir o nível do boca a boca. Entrevistamos cerca de 900 pessoas e 96% das respostas foram muito positivas; 60% dos consultados disseram que recomendariam o filme para familiares e amigos", informa Eliana Soarez, produtora executiva do longa-metragem. "Deste universo de espectadores, 37% afirmaram que A mulher invisível é um filme excelente, 44% o qualificaram como muito bom e 15% como bom."
A reversão da inclinação da queda do produto nacional no mercado cinematográfico é a vitória da comédia. O filme de Torres chegou ao circuito ancorado pela excelente repercussão de Se eu fosse você 2, que bateu concorrentes fortes como as superproduções americanas Madagascar 2 (5,2 milhões de ingressos) e X-Men origens: Wolverine (3 milhões). Lançado em 17 de abril e ainda em cartaz em 166 salas, Divã mantêm-se firme no circuito.
"A comédia é, comprovadamente, um gênero de apelo muito forte no mercado nacional", confirma Eliana, que não nega a possibilidade de transformar A mulher invisível em uma nova franquia. "A realização ou não de uma sequência vai depender muito da bilheteria final, e será uma decisão tomada em conjunto com os outros parceiros, a Globo Filmes e a (distribuidora) Warner Brothers."
O selo da Globo Filmes está estampado em outras comédias com potencial de público, apontadas para chegar ao mercado nos próximos meses, como Os normais 2 (agosto), de José Alvarenga Jr., e O bem amado (janeiro de 2010), de Guel Arraes. A própria Conspiração Filmes, produtora de 2 filhos de Francisco (2006), de Breno Silveira, uma das maiores bilheterias da Retomada (superou os 5 milhões de ingressos), também tem planos para investir no gênero em um futuro muito próximo.
"O Cláudio (Torres) mesmo já está desenvolvendo dois novos projetos nessa área. Um deles é A sogra, o outro é O homem do futuro, que ainda está no roteiro", adianta Eliana.
A crise mundial, acreditam os analistas, tem sido benéfica ao cinema brasileiro. "Na contramão da tensão financeira, o cinema cresceu em todas as partes do mundo, e por razões diferentes. Aqui no Brasil, o crescimento é motivado pela mudança do perfil do consumo", indica Almeida. "O brasileiro está viajando menos, comprando menos carros e deixando o dinheiro disponível para aplicar em bens de consumo mais baratos. Mas tudo isso não seria possível se os filmes não fossem bons".
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