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Cinema e DVD
Domingo, 5 de julho de 2009, 15h32  Atualizada às 14h19
Sucesso no cinema, animações contam com vozes de famosos
 
Diego Marcel
 
TV Globo/Divulgação
Tadeu Mello é o dublador da preguiça Sid em 'A Era do Gelo 3'
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O brasileiro Cassiopéia e o americano Toy Story abriram a porteira para um estilo de filme que conquistou aos fãs de cinema: a animação. Desde esses títulos, muitas obras foram sucesso de bilheteria, caso de Formiguinhas, Madagascar, Bolt, Vida de Inseto, entre outros. O filme de Woody, que teve seu primeiro número lançado em 1995, laçou o público de tal maneira que terá o terceiro número lançado em 2010.

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Engana-se, porém, quem acredita que esses filmes tiram o emprego dos atores. Por trás de cada personagem, geralmente, há um ator fazendo a dublagem. Muitas vezes são famosos. O já citado Madagascar conta com as vozes Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith e Sacha Baron Cohen.

No Brasil, famosos também emprestam suas vozes para personagens animados. Chico Anísio já gravou a voz do velho e rabugento Carl Fredricksen do filme UP, da Disney e que estreia na segunda metade de 2009. Quem está hoje no cinema com sua voz é Tadeu Mello, que interpreta a preguiça Sid no filme A Era do Gelo, que está em seu terceiro número.

O ator, que já participou de filmes como Lisbela e o Prisioneiro e novelas como Porto dos Milagres e hoje interpreta Tatá no dominical A Turma do Didi, disse que não é fácil se aventurar no mundo da dublagem. "Eu adquiri experiência fazendo o A Era do Gelo. No primeiro eu tinha muita dificuldade. Mas eu tinha uma coisa natural, de instinto, uma coisa musical que adquiri no teatro. Contei com ajuda do diretor, claro. Mas aprendi bastante na prática", conta.

Quando fez o primeiro filme, o ator fazia cinco falas de seu personagem em uma hora. Os trabalhos levaram quatro dias, nos quais ele trabalhou os três períodos. No terceiro, Tadeu já fazia 25 falas de Sid em uma hora. Para fazer sua participação ele levou apenas duas tardes.

O resultado final também ficou muito mais qualificado. "Consegui colocar a emoção precisa. No primeiro, eu fui muito papagaio, seguia apenas as orientações do diretor. Nesse eu estava mais ligado. Sabia o que tinha que fazer", contou.

A voz de Tadeu é muito mais sóbria do que a de seu personagem Tatá e da preguiça Sid. O ator compôs os detalhes só depois de ver a animação pela primeira vez. "Sou um ator, então gosto de olhar o figurino e sobre ele desenvolver os trejeitos, a maneira, a voz. Preciso muito da indumentária. Eu olhei para a preguiça e acreditei que o timbre seria aquele. Todos gostaram bastante", contou.

Essa ligação entre a atuação nos palcos e a dublagem é bastante estreita. Marcos Ribeiro empresta sua voz para atores como Jim Carrey, Robert Downey Jr. e Tom Hanks e diz que se atuar ajuda na hora de dublar, a recíproca é verdadeira. "Eu já fiz teatro e televisão e já ganhei papéis em teatro por causa da dublagem, pois na leitura já fazia certinho o que o personagem pedia. A dublagem te dá este jogo de cintura", diz.

Marcos começou na carreira no ano de 1986 fazendo pequenos trabalhos em desenhos e então procurou cursos de aperfeiçoamento para se profissionalizar. Com os 22 anos de carreira, ele já foi reconhecido pela voz muitas vezes, apesar de fazer uma nova entonação a cada trabalho. "Temos que fazer algo diferente. É um exercício diário", conta.

Em alguns países, como o Japão, os dubladores são tidos como estrelas. Quem empresta a voz para personagens famosos de desenhos são conhecidos por toda a comunidade que é fã da obra. Aqui no Brasil, o reconhecimento ainda não é o mesmo. "Aqui o dublador é visto com muito preconceito, principalmente por alguns setores do próprio mundo artístico, mas está começando a mudar. Já temos muitos fãs por aqui que amam a dublagem. Isto pode ser comprovado pela própria Internet com Blogs, comunidades etc", lembra Ribeiro.

Quem tiver vontade de entrar no mundo da dublagem, pode freqüentar cursos profissionalizantes onde, além de aprender e pegar todos os macetes, vai adquirir alguns contatos essenciais na hora de arrumar trabalhos.

O mercado não é pequeno, tendo em vista que todos os anos filmes, séries e desenhos recebem vozes nacionais. Mas cada vez mais o dublador tem que concorrer com os famosos que se viram para a área. Quem é do mundo da dublagem, não vê grandes problemas. "É normal. Se o alguém é escalado para dublar um papel por ser um medalhão da TV, é claro que a mídia vai focar no nome dele que leva público ao cinema. Celebridades dublando? Não vejo nada demais nisso", diz Marcos.

O espaço dos dubladores profissionais continua intacto. Não haverá substituição. Da mesma forma que as animações não vão substituir os atores. Apesar de deixá-los receosos. "Há o risco dos atores sumirem. Vi um filme com a Angelina Jolie que estava quase perfeito. Eles ainda não conseguem colocar alma nos personagens, mas estão muito perto", brinca Tadeu Mello.
 

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