George Romero, diretor de 'Survival of the Dead'
Foto: Dan Kitwood/Getty Images
O veterano diretor George Romero disse que retomou a tradição dos zumbis em seu novo filme, Survival of the Dead, também para tratar de alguns temas que ele acredita determinantes no mundo de hoje. "São assuntos como os contrastes sempre polêmicos entre o Ocidente e o Oriente, a discriminação racial e o tribalismo que comanda o mundo de hoje", lembrou na entrevista a imprensa hoje no início da tarde. "Mas na verdade os zumbis sempre foram meu assunto predileto; eu tenho simpatia por essas criaturas inocentes".
» Zumbis divertem Veneza em noite com iraniano desafiador
» Saiba mais sobre filmes que vêm por aí
O novo trabalho exibido ontem na competição oficial de Veneza dialoga diretamente com o clássico do mesmo diretor A Noite dos Mortos-Vivos, primeiro filme de grande impacto a trazer a figura do zumbi ao cinema. O inusitado é que Romero se utiliza de outra grande referência do cinema americano, o western, para conduzir sua história atual.
Diz que se inspirou em Da Terra Nascem os Homens (The Big Country), filme realizado em 1958 por William Wyler, e que trata da disputa de terras por dois clãs rivais. Ainda que aborde o gênero, o faz de modo bem livre, em que não se pode cobrar coerência.
Os cowboys, no caso, são homens de uma pacata ilha na costa americana. Armados de rifles e chapéu na cabeça, eles funcionam como uma milícia a exterminar os seres humanos mortos e que retornam a vida como zumbis. Mas nem todos os habitantes aceitam a matança e uma velha rixa entre dois líderes locais vem a baila para um confronto final. Ali chega um pelotão do exército que também quer extinguir os zumbis a qualquer custo, aumentando a confusão de interesses.
No meio dessa confusão, o espectador se sente propositadamente perdido, pois Romero não está interessado numa trama realista e muito menos quer prender a plateia pelo suspense ou medo. Seu massacre banhado em sangue e membros destroçados do corpo diverte com o estilo surreal e trash que é marca registrada do cineasta.
Romero evita aproximar o filme de qualquer fato real, como uma guerra, por exemplo, no Afeganistão ou Iraque. "Só poderia haver uma comparação se for relacionado a idéia do inimigo; minha mensagem com este filme é que não podemos esquecer quem é o inimigo, temos que conhecê-lo para combatê-lo melhor". Ele acredita que o filme terá pouca influência para manter a figura do zumbi "viva" no cinema.
"Os videogames é que têm esse papel hoje em dia; e como não me sinto apto a trabalhar com esse suporte, que exige um estilo muito mais rápido de trama, é agressivo demais, então permaneço no cinema".
Romero lembra que a fonte de inspiração para o primeiro filme com zumbis de 1969 foi o clássico do terror A Múmia. "Na época, eu procurava uma representação no cinema que pudesse mudar o mundo, que fizesse uma revolução e fosse contra uma desilusão que eu tinha com o destino da sociedade."
Em seu segundo filme com financiamento próprio e trabalhando com uma pequena equipe e elenco desconhecido, Romero diz que gostaria de continuar a trabalhar com seus zumbis. "Sempre tenho esperança que alguém surja com a proposta de uma série de TV com zumbis; eu ficaria feliz de fazer isso até morrer."
- Especial para Terra


Assista agora »
Assista agora »

