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Cinema e DVD
Quinta, 24 de setembro de 2009, 07h29 
Pedro Almodóvar, o diretor vermelho, celebra seus 60 anos
 
Carol Almeida
 
Reprodução
A comédia 'Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos'
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Existe um tom vermelho-Almodóvar. Um vermelho de sangue e batom borrado, de lágrimas e senso do ridículo, de confissões e redenções à meia-luz do palco e, claro, o vermelho do divertidíssimo suco de tomate de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, da pimenta de Volver. Pedro Almodóvar, o diretor que completa nesta quinta-feira (24) 60 anos, pode hoje se orgulhar de ter pintado uma nova cor para o cinema, uma com dramaticidade, calor e humor próprios. É com o foco no elemento vermelho do ser-humano que o diretor espanhol comemora seus 60 anos e que o Terra celebra o trabalho do homem que conseguiu colocar Deus, sexo e amor em um mesmo altar.

» Os filmes vermelhos de Almodóvar

Ainda que outros cineastas possam fazer uso dessa tinta encarnada, somente Almodóvar consegue usá-la sem medo de borrar o quadro. Porque sua obra, tal qual os travestis, mulheres e homens de seus filmes, salta para fora de qualquer moldura. Em tributo ao trabalho desse cineasta, que no próximo dia 20 de novembro estreia no Brasil o filme Abraços Partidos, selecionamos algumas das melhores frases, dramáticas ou hilárias (ou ambas), de alguns dos mais vermelhos filmes do aniversariante. Confira abaixo:

Maus Hábitos (1983) - O filme das freiras enlouquecidas que se fascinam pelo vermelho que há além dos hábitos preto e branco.
Frases: Irmã Estiércol: "Comer é como fazer comunhão. Jesus apareceu pra mim enquanto eu estava comendo. Ele me ofereceu suas feridas pra eu lamber, como uma andorinha."
Irmã Rata de Callejón: "Isso se chama alucinação!"

A Lei do Desejo (1987): Antonio Banderas gay, crimes passionais e um diretor de cinema completamente apaixonado. Nada mais vermelho que essa combinação.
Frase: Pablo Quintero (Eusebio Poncela): "Amá-lo assim é um crime...mas estou disposto a pagar."

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988): Impossível haver um filme mais vermelho do que esse. Do suco de tomate dopado às loucuras ditas em uma sala de estar, tudo pisca cores fortes neste filme.
Frases: Ana (Ana Leza): "Com uma bicicleta, quem precisa de um homem?"
Pepa (Carmem Maura): "Aprender mecânica é mais fácil que aprender a psicologia masculina. Você pode desvendar uma bicicleta, mas nunca vai entender um homem."

Ata-me! (1990): Banderas volta a cena como um fugitivo de um hospital psiquiátrico que prende uma atriz pornô para que ela aprenda a amá-lo. Sangue + loucura na equação almodovariana só pode dar uma atípica história de amor.
Frase: Ricky (Antonio Banderas) "Tenho certeza que se apaixonará por mim, como estou apaixonado por você. Tenho 23 anos e 50.000 pesetas no bolso. Estou só no mundo. Serei um bom marido para você, e um bom pai para seus filhos"

Kika (1993): Uma maquiadora se apaixona por um defunto que não estava morto. Não é preciso dizer muito mais para entender a vermelhidão das cenas.
Frase: Kika (Veronica Forque): "Se têm um bom fundo e um bom rabo em me apaixono."

A Flor do meu Segredo (1995): Na ausência de seu marido, Paco, Leo escreve romances e tenta recriar sua própria realidade. Seu vestido vermelho diante do uniforme militar do marido dá o tom dos conflitos em questão.
Frase: Paco (Imanol Arias) "Não há nenhuma guerra comparável contigo"

Carne Trêmula (1997): Aqui Almodóvar usa várias histórias paralelas em uma só, cruzadas, claro, por um acidente passional.
Frase: Clara (Angela Molia): "Por que não nos separamos Sancho, por que?"
Sancho (José Sancho): "Enquanto eu te amar, você não se separa de mim."

Tudo sobre minha Mãe (1999): Primeiro filme de uma série mais sóbria, madura, e, no entanto, não menos dramática de Almodóvar. Mães e travestis se encontram em seus próprios conflitos.
Frase: Agrado (Antonia San Juan): "Peitos, dois, porque não sou nenhum monstro. Oitenta mil cada... mas já bastante amortizados. Não devemos economizar, pois se é mais autêntica quanto mais se parece com o que se sonhou para si mesma."

Fale com Ela (2002): O silêncio é, neste filme, o melhor diálogo. E é nesse mesmo silêncio que o diretor espanhol constrói amores nunca dantes imaginados.
Katerina Bilova (Geraldine Chaplin): "Nada é simples. Sou uma bailarina amante, e nada é simples."

Má Educação (2004): Distante das mulheres, sua obsessão maior, Almodóvar cria uma trama de idas e vindas surpreendentes, delicadas e, claro, vermelhas.
Frases: Enrique Goded (Fele Martínez ): "És o Padre Manolo?!".
Manolo (Daniel Giménez Cacho): Mr. Berenguer. Não sou pai nem do meu próprio filho agora."

Volver (2006): Penélope Cruz no centro das atenções. Em uma história no melhor estilo Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, o filme lida com personagens cujos dramas estão intrinsecamente ligados à unidade familiar.
"Agustina têm câncer. Agustina, venha, um forte aplauso para Agustina!" (apresentação de Augustina, vivida pela atriz Blanca Portillo, por um programa de auditório)
 

Redação Terra
 
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