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O ator Cristopher Reeve, que morreu nesta segunda-feira em Nova York, foi um herói nas telas de cinema como Super-homem e também fora dela como exemplo de superação e de esforço, em sua cruzada a favor da pesquisa com células-tronco. Prostrado em uma cadeira de rodas desde 1995, quando sofreu um acidente de cavalo que fez com que ele quebrasse o pescoço, o ator converteu-se, durante os nove anos em que foi tetraplégico, em um exemplo para todos aqueles que sofrem com lesões na medula espinhal. Seu afã de superação e de recuperação, com um admirável espírito otimista, ficou refletido em um documentário realizado por seu filho Matthew, denominado Courageous Steps, que retratava a luta diária de Reeve para se recuperar do terrível acidente que o deixou paralisado do pescoço para baixo. Fruto desta luta constante, o ator, que tinha 52 anos de idade, conseguia se desconectar por curtos períodos de tempo da respiração artificial à qual ficou atrelado depois do acidente. Além disso e apesar dos médicos não terem lhe dado nenhuma esperança de recuperação, no fim de 2001, o ator conseguiu movimentar ligeiramente um de seus dedos, o que alentou suas esperanças de um dia voltar a andar. "Vou me levantar desta cadeira, jogá-a fora e voltar a andar", disse Reeve em uma entrevista concedida como prova de sua fé e de seu otimismo. Na autobiografia intitulada Ainda Sou Eu: Memórias, o ator também relatou como, com a ajuda de sua família e especialmente de sua esposa Dana Morosini, conseguiu vencer os desejos de morrer que o invadiram após o acidente de cavalo. Este livro, cuja transcrição para disco lhe valeu um Grammy de Melhor Álbum falado de 1999, somou-se a outra obra publicada em 2002 intitulada Nothing Is Impossible. Cristopher Reeve converteu-se, em seus últimos anos, em um combativo lutador a favor da experimentação com células-tronco embrionárias, proibida pela legislação americana, e que representa a única esperança de cura que existe para as lesões medulares. Assim, o ator destinou sua fama e sua fortuna à criação da Fundação Christopher Reeve, cujo objetivo é arrecadar fundos para promover a pesquisa. Ele também protagonizou intervenções em foros políticos para pedir uma atenção maior para os mais fracos, especialmente para os minusválidos, e a reforma do sistema sanitário, pois muitas das pessoas em sua situação precisam de um seguro que cubra suas despesas. Apesar de sua paralisia quase total, Reeve voltou ao mundo artístico em 1997, dirigindo um filme para TV, Armadilha Selvagem, que ganhou quatro prêmios Emmy, e protagonizando uma nova versão do filme de Hitchcock A Janela Indiscreta. Os momentos mais importantes de sua carreira vieram, no entanto, como o jornalista Clark Kent em Super-homem, papel para o qual foi selecionado em 1977 e que acabou sendo um autêntico sucesso de bilheteria. Entre outros filmes interpretados por Reeve, estão Em Algum Lugar do Passado, Armadilha Selvagem, Armação Perigosa e A Cidade dos Amaldiçoados, um filme de terror dirigido por John Carpenter. Também trabalhou nos longas-metragens: O Aviador (1985), dirigido por George Miller, e O Repórter da Rua 42 (1985), de Jerry Schatzberp. No sábado passado, depois de nove anos de luta, o ator sofreu um forte deteriorização de seu estado de saúde, o que fez com que ele entrasse em coma e, posteriormente, morresse de insuficiência cardíaca. O ator deixa um filho de 12 anos, Will, nascido de seu casamento com Dana, e outros dois, Matthew, de 25, e Alexandra, de 21, de uma união anterior.
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