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Cinema e DVD
Quarta, 18 de novembro de 2009, 06h08  Atualizada às 14h12
Filme sobre o presidente Lula recebe aplausos, mas não emociona
 
Elaine Lina e Marina Mello
Direto de Brasília
 
Igo Estrela/Futura Press
Glória Pires e Marisa Letícia vão a estreia
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O tão falado filme que conta a história da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde criança, passando por toda a sua trajetória de sindicalista, teve sua pré-estreia na noite de terça-feira (17), na abertura do 42º Festival de Cinema de Brasília. Com lotação acima dos 1.700 lugares do Teatro Nacional Cláudio Santoro, a sessão foi tumultuada, com direito a vaias ao produtor do longa. Ao final, os aplausos aconteceram, mas foram contidos.

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» Tumulto e vaias marcam o início da sessão de filme sobre Lula

Apesar do alarde feito em torno do longa de direção de Fabio Barreto, Lula, o Filho do Brasil não chegou a ser aplaudido de pé pela plateia do Festival de Brasília, famosa por ser uma das mais críticas de todos os festivais de cinema do País.

O personagem de Lula (interpretado por Rui Ricardo Diaz) é mostrado como um herói, deixando e lado o que alguns consideram defeitos do presidente.

O filme começa com o nascimento de Lula em Garanhuns (PE): "tu vai se chamar Luiz Inácio, visse?", diz a mãe dele, Dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello), interpretada pela atriz Glória Pires.

Antes mesmo do parto, o pai dele, Aristides Inácio da Silva (Milhem Cortaz), aparece abandonando a família no sertão nordestino e seguindo rumo a Santos (SP).

Depois, ele envia uma carta dizendo a Lindu que não vá atrás dele porque as coisas por lá não estavam nada bem. Como ela era analfabeta, a carta é lida por um conhecido comerciante que mente e diz que é para ela vender a casa e seguir para o litoral paulista com os filhos.

Lá, o diretor mostra um pai violento e embriagado que obrigava os filhos a trabalhar e não hesitava em espancá-los quando, orientados pela mãe, eles escapavam da labuta para estudar.

Na fase da infância de Lula, tenta-se por duas vezes se demonstrar que ele era uma espécie de ser predestinado. Uma na escola, quando a professora de Lula (Lucélia Santos) vai até a sua humilde casa dizer para a mãe do garoto que ele era especial e pedir para adotá-lo. Dona Lindu de imediato nega o pedido. A professora insiste e diz que a mãe não pode negar que seu filho seja "alguém". Dona Lindu responde: "ele é alguém, é Luiz Inácio", e se recusa a largar o menino.

Em outra cena, o pai alcoolizado bate nas crianças e na mãe e Lula ainda menino o enfrenta e diz que homem não bate em mulher.

Depois disso, Dona Lindu parte com os filhos para São Bernardo do Campo (SP), onde Lula faz um curso do Senai e é diplomado torneiro mecânico.

Nesta época ele se casa com sua primeira mulher, Maria de Lourdes da Silva (Cléo Pires), que engravida para depois ela e o bebê morrerem no momento do parto. "Senhor Luiz Inácio, o senhor vai ter que ser forte", diz o médico para Lula.

A morte de sua primeira mulher deixa o mecânico inconsolado, Lula precisa voltar para a casa da mãe, e, "para ocupar a cabeça", ele se envolve com a luta sindicalista.

Nesta etapa conhece a atual primeira dama Marisa Letícia (Juliana Barone) e já no primeiro momento descobre que ela também é viúva e que perdeu o marido mais ou menos na mesma época em que Maria de Lourdes faleceu.

O sindicalista então não tem dúvidas: vai à casa da moça, se apresenta para a mãe dela como seu "namorado" e, ao se deparar com um concorrente no portão, despacha o sujeito rapidamente - a cena provocou risos na plateia.

A partir daí o filme mostra cada vez mais a aproximação de Lula com a luta sindical e a insatisfação de dona Lindú com tudo isso.

Marisa aparece sempre em cenas importantes para o protagonista e é ela quem o visita no DOPES quando é preso, e também quem o ampara no cemitério, quando Lula chega escoltado pela polícia para acompanhar o enterro de sua mãe.

Antes de mostrar Lula enfrentando a Ditadura, o diretor faz uma rápida cena na qual Lula recebe a notícia da morte de seu pai, que foi enterrado como indigente. Nesta cena, o personagem não chora, mas se mostra emocionado e mesmo tentando sentir desdém, diz que herdou sua bondade da mãe e sua maldade do pai.

O filme ainda mostra na sequência que entre 1989 e 1998, Lula tentou se eleger presidente sem sucesso. Em 2003, foi diplomado presidente do Brasil e dedicou a vitória a uma única pessoa: dona Lindu, sua mãe.

É neste momento que aparece então a cena de Lula e dona Marisa desfilando em um carro Rolls-Royce no dia da posse do presidente na Esplanada dos Ministérios lotada de populares.

O filme foi aplaudido pela plateia que ultrapassava e muito os 1 400 pretendidos pela organização e suportáveis na sala Vila Lobos do Teatro Nacional. Aplaudido, mas não com grande entusiasmo, como é costume o público fazer com filmes que realmente causam impacto no Festival de Brasília.
 

Redação Terra
 
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