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 "Eu sempre tive os pés no chão", diz Glória Pires
22 de novembro de 2009 09h21 atualizado às 09h23

Marisa e Glória Pires na pré-estreia de 'Lula, o Filho do Brasil', em Brasília. Foto: Igo Estrela/Futura Press

Marisa e Glória Pires na pré-estreia de 'Lula, o Filho do Brasil', em Brasília
Foto: Igo Estrela/Futura Press

Duplamente na 42ª edição do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro - com Lula, o Filho do Brasil (hors concours) e É Proibido Fumar (em competição) -, Glória Pires está de volta ao Brasil após longa estada em Paris. E em ótima fase: além de interpretar Dona Lindu, mãe do presidente, a atriz acaba de contracenar, pela primeira vez, com a filha Cleo, no filme de Fábio Barreto. Ela também promete voltar à TV, no horário nobre, em 2010, e vai dirigir um documentário.

Foi concorrida a sessão de abertura do Festival de Brasília. O elenco chegou a ficar sem assento. O que você sentiu na pré-estreia de Lula, o Filho do Brasil?
Fiquei bastante surpresa com a quantidade de pessoas. Para mim é tudo novidade. Teve a questão de segurança (não havia bombeiros no teatro). Mas foi uma manifestação positiva. É a primeira vez que venho.

Você é sempre dócil quando requisitada, seja por fãs, imprensa ou qualquer pessoa. Sempre foi assim? Como lida com o assédio?
Eu sempre tive carinho com as pessoas. Sei que tem uma histeria em cima disso. Antes, eu pensava na importância que o autógrafo tem para as pessoas. Questionava. Mas, com o passar do tempo, relaxei. Outro dia estava fazendo compras no supermercado e uma pessoa me pediu autógrafo. Mas nunca vem uma só. Vieram muitas (risos). E eu tinha hora. Expliquei isso e disse que não podia dar mais nenhum porque estava realmente bem atrasada.

Mas você já passou por alguma situação surreal de assédio dos fãs?
Eu estava no avião, dormindo, e uma pessoa me acordou para pedir autógrafo!

Você deu um fora?
Eu abri o olho, assinei e dei para a pessoa, sem dizer nada. Não sou grosseira. Quando a Cleo (Pires, filha da atriz) era pequena, levava as amiguinhas lá em casa. E elas ficavam loucas com os amigos (famosos) que frequentavam e também queriam pedir autógrafos. Eu proibia!. Mas entendi que não sou eu que vou educar.

O que você acha de atrizes que começaram ontem e já "se acham"?
Às vezes é por timidez ou medo. Hoje é muito diferente essa questão de popularidade. Quando eu comecei, não tinha esse assédio. Mas as pessoas precisam aprender a lidar com isso. Quando escolhemos uma profissão, não imaginamos o que vem junto com ela. Eu sempre tive os pés no chão.

A sua filha, Cleo, é de uma nova geração. O que acha do trabalho dela
Adoro o trabalho da Cleo. Quando ela recusou fazer o remake de Cabocla (a primeira versão foi estrelada por Glória, em 1979), deu o pulo do gato. Se ela fizesse, ficaria presa a mim, as comparações seriam inevitáveis. É a forma que encontrou e achei certa.

E na época vocês conversaram muito sobre o papel na novela? Foi decisão conjunta?
Conversamos muito na época. Analisamos tudo. Ela decidiu assim. Tinha recebido o convite para a novela antes de Benjamim ser lançado (filme pelo qual Cleo Pires ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio, em 2003). Nesse ponto eu sou como a Dona Lindu, digo: "Espera que a sua hora vai chegar, calma".

Como foi contracenar pela primeira vez com sua filha em Lula, O Filho do Brasil?
Foi ótimo. O Fábio (Barreto, diretor do filme) disse que ia criar uma cena para a gente contracenar (elas só aparecem juntas em duas). Acabou sendo a do casamento. Dona Lindu fala para a Lourdes (sua nora, primeira mulher do presidente, vivida por Cleo): "Rapadura é doce, mas não é mole, não". (risos)

Você está com dois filmes no Festival (Lula e É Proibido Fumar, de Anna Muylaert). É possível escolher um favorito entre os dois?
Não! É um presente participar com dois filmes. Cada um é especial, tem uma afetividade.

Você acha que o filme tem caráter eleitoreiro por conta do tema, às vésperas da eleição?
Não. As pessoas tem que ver o filme e avaliar. É sobre a vida de um brasileiro.

E a experiência de interpretar Dona Lindu, mãe do presidente Lula, como foi?
Ela é a Mãe Coragem, uma personagem universal. Mas ter dados reais sobre ela me ajudou muito. Muitas mães vão se reconhecer nessa mulher (que cuida de oito filhos, sem a ajuda do marido). Eu me dedico muito sempre. E tive uma mãe maravilhosa.

E a personagem de É Proibido Fumar é totalmente diferente (uma mulher que tem o cigarro como seu melhor amigo) de Dona Lindu...
Demais. Este já é outro processo (risos).

Mas você tem noção de que imprime selo de qualidade às personagens que intepreta? Você se olha no espelho e diz: "Sou boa"?
Não tenho controle sobre o que eu faço. É intuitivo. São muitas emoções. Empenho meus maiores esforços. Na verdade, é muito subjetivo. Depende de muita gente, equipe, atores, direção. Não sou eu sozinha.

Tem planos de se aventurar na direção?
Tenho! Ainda é um embrião, mas tenho o projeto de um documentário. Quero muito fazer, mas ainda não tem nada definido.

Você passou uma longa temporada em Paris. Como está sendo essa volta ao País?
É bom e não é. Porque as crianças estão lá, estudando. Vim para o Brasil divulgar o filme, mas vou voltar logo para lá.

Tem previsão de seu retorno à televisão?
Vai ser no final de 2010, na novela do Gilberto Braga.

E teatro, não tem vez mesmo na sua vida?
Não... Eu gosto de ir para ver os meus amigos. Não tenho vontade nenhuma de fazer.

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