A atriz Glória Pires conversa na coletiva
Foto: Reinaldo Marques/Terra
O diretor Fabio Barreto afirmou nesta segunda-feira, em São Paulo, que "não está nem aí" para as acusações de que seu filme Lula, o Filho do Brasil, pode influenciar a sucessão presidencial de 2010. Tampouco demonstra qualquer preocupação com as críticas relativas às liberdades tomadas sobre o relato histórico na trajetória do metalúrgico que chegou ao Palácio do Planalto. "A verossimilhança é com os personagens, não com a história real. Apesar da escolha por linguagem de documentário em alguns momentos, é um filme de ficção", diz.
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Barreto participou de entrevista coletiva concedida em um hotel da região central da capital paulista com toda a produção e elenco de seu último filme, que relata a história do presidente da República desde o nascimento, em Pernambuco, até a prisão no ABC Paulista, durante um dos últimos episódios autoritários do regime militar. O filme foi exibido pela terceira vez, nesta para a imprensa paulistana, depois de ser mostrado no Festival de Brasília e ter uma premiére em São Bernardo do Campo, nesta última com a presença de Lula. O lançamento nacional do filme está previsto para 1° de janeiro de 2010.
Durante a exibição do filme no ABC, metalúrgicos afirmaram que o filme foi "mais leve do que a realidade". O sindicalista aposentado Paulo Vidal, que aparece como presidente dos metalúrgicos, chegou a afirmar que a versão do filme é "uma mentira que não tem cabimento".
A autora da pesquisa que deu origem ao livro e corroteirista, Denise Paraná, defendeu a fidelidade do filme aos personagens. Ao comentar uma cena em que um dono de fábrica é projetado do alto por uma turba de operários encolerizados - cena em que a relação de Lula no filme é uma e no livro é outra - a estudiosa afirmou que a liberdade tomada foi real ao personagem. "Ele foi em diversas ocasiões um pacifista, então foi uma opção clara de captar a alma pacifista dele", diz.
Segundo o diretor, a preparação de todos os atores ficou a cargo de Sergio Penna (Bicho de Sete Cabeças e Carandiru). Barreto afirma que a pesquisa envolveu assistir a documentários da época, material iconográfico, documentos e fotos. Mas nem preparador ou elenco esteve com os personagens vivos da história. Questionado se teve uma opção menos pela verdade que estética, Barreto primeiro fica em cima do muro. "Fico com as duas, não tem uma opção aí." No entanto mais tarde, entre uma e outra, deixa escapar sua escolha. "Verossimilhança absoluta só com documentário, mas está muito bem o grau de verossimilhança,. Sem limitar um filme de ficção."
- Redação Terra


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