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 Aos 73 anos, Domingos Oliveira chega a meio século de carreira
07 de dezembro de 2009 07h31 atualizado às 09h28

Domingos Oliveira: por dentro, eu tenho 15 anos de idade. Foto: João Laet/O Dia

Domingos Oliveira: "por dentro, eu tenho 15 anos de idade"
Foto: João Laet/O Dia

Ler o currículo de Domingos Oliveira - autor, diretor, ator, namorador e bebedor - é como embarcar numa viagem pela cultura brasileira dos últimos 50 anos. Aos 73, ele já dirigiu 56 peças (23 de sua autoria), escreveu, dirigiu e atuou em 13 filmes, lançou dois livros e já ganhou muitos prêmios no cinema e no teatro. Não à toa, este homem, que parece nunca parar, completa este ano, sem estardalhaço, meio século de carreira.

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Por pouco a efeméride não passa em branco, já que ele só soube da data quando ganhou de presente de um amigo uma foto de sua primeira incursão no mundo das artes, em 1959 (que, ironicamente, não consta do tal currículo). E, como talento atrai talento, Domingos já estreou com o pé direito, sendo assistente de direção de um dos maiores cineastas brasileiros em curta-metragem, sobre um de nossos grandes escritores: Manuel Bandeira, o Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade. "Não lembro como eu fui parar lá, mas um dia me deixaram sozinho com o Bandeira e eu todo encabulado, suando por todos os poros, sem saber o que falar. De repente o poeta diz: 'Esse mundo não é mais o meu'. E foi tudo".

E Domingos, reconhece o mundo como seu? "Quando a gente fica mais velho tem essa sensação de que o homem é um ser nascido para morrer. Mas eu não me sinto velho, alguns amigos já se foram, outros foram feitos. Eu sou um propagandista da vida". De fato, ele sabe viver como poucos. Rodeado sempre por jovens e belas mulheres - a atual mulher, a atriz Priscilla Rozenbaum, é 24 anos mais nova - e ignorando os visíveis problemas de saúde, Domingos continua bebendo, virando noites e nunca - ele jura - procura um médico.

"Há anos não faço um exame, tenho uma alma jovem em um corpo completamente decrépito. Meus movimentos são lentos, minha vista está fraca, é humilhante. Mas, por dentro, eu tenho 15 anos de idade. E tem pelo menos uns cinco filmes e três peças que eu já tenho prontas e quero muito fazer, então vocês ainda vão ter que me aturar por muito tempo", brinca.

Para não deixar a fama de galanteador se esvair com a idade, completa: "A libido é a última coisa que morre, só vai embora depois da esperança. Sexo é tudo, tudo é sexo. As mulheres ainda me querem, acho que porque sou muito feminino, entendo a alma delas. Por isso não consigo ser monogâmico, acho uma depravação a monogamia. Embora fiel eu seja, detesto mentir para a mulher amada".

Sem falsa modéstia, Domingos só lamenta o fato de não ter nascido nos Estados Unidos, onde não precisaria passar a sacolinha em busca de patrocínio a cada novo trabalho: "Tenho certeza que lá eu seria mais famoso que o Woody Allen, pois sou um artista desse nível. Sem nenhum rancor, nosso país ainda não tem nível cultural para saber que sem arte a sociedade não funciona", diz ele, que aponta a obra-prima Separações como seu trabalho preferido: "Nunca fiz nada só para ganhar dinheiro e gosto de todos os meus trabalhos. Mas este, em especial, é um filme muito sincero".

Agora, a nova batalha deste verdadeiro guerreiro é levar aos cinemas o longa Inseparáveis, continuação de Separações, que ainda aguarda patrocínio: "É meu melhor roteiro até agora, mas não arrumei dinheiro".

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