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 Saiba por que 'Avatar' será um sucesso de público
15 de dezembro de 2009 13h53 atualizado às 20h32

O avatar de Jake Sully (Sam Worthington) em cena do filme. Foto: Divulgação

O avatar de Jake Sully (Sam Worthington) em cena do filme
Foto: Divulgação

Quando Avatar estrear nesta sexta-feira (18) para o grande público, o mote das conversas pós-exibição será o questionamento sobre o futuro do cinema. Pertinente, já que James Cameron - a mente por trás de Titanic, a maior bilheteria da história da indústria - encomendou a criação de novas câmeras para conseguir filmar seu mundo inovador, repleto de criaturas fantásticas e cenários de cair o queixo, feitos com o que há de melhor na computação gráfica.

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O trabalho, que durou aproximadamente 15 anos, segundo o diretor, tenta mostrar a que veio: nunca antes um filme exibiu cenas em 3D estereoscópico tão profundas. O design dos Na'Vi, criaturas azuis que protagonizam a história, feito em Motion Capture - uma técnica que captura movimentos e expressões dos atores e os transforma em animação - é tão real que chega a ser palpável. Avatar é a prova de que o século 21 chegou realmente ao cinema.

Mas o novo costuma assustar - porque subverte a pretensa harmonia vigente e porque ninguém sabe o que virá depois da revolução provocada pela mudança.

Estaria Hollywood abandonando sua história, repleta de triunfos que são produtos unicamente da dramaturgia - tais como as obras de Billy Wilder, Alfred Hitchcock e mais recentemente, dos irmãos Cohen -, para se curvar diante da pesada artilharia da tecnologia? A experiência visual - pura e simples - tomou proporções maiores do que a palpitação e a empolgação de conhecer uma história profunda, que agregue conhecimento? Sim e não. Avatar, como todo cinema fabricado, é um filmão. Mas se sai como poucos. Ele não sobrevive apenas com técnicas futurísticas.

Novidade com alma antiga
Apesar de toda a parafernália tecnológica, Avatar traz muitos elementos do velho e bom cinema. Um mérito do visionário Cameron, que não morde a mão que o alimentou nesses anos todos. Os personagens da trama, do heróico Jake Sully (Sam Worthington) a Grace (Sigourney Weaver), uma cientista dividida entre o bem e o mal, são desenvolvidos de maneira a sustentar a rede de conflitos - e efeitos - que permeiam a produção, regra básica do bom cinema.

O roteiro - ganância do homem versus a harmonia da natureza - já foi abordado inúmeras vezes nas telonas, em muitos casos com mais consistência e menos clichês, como em Princesa Mononoke, um clássico do animador japonês Hayao Miyazaki e que, não por acaso, guarda inúmeras semelhanças com essa obra de Cameron.

Portanto, Cameron inova na apresentação (em 3D), não na fórmula. Virá daí seu sucesso. No fato de amalgamar o velho com o novo, o passado com o futuro, o conforto do que se conhece com o desejo do desbravamento de um território ainda inóspito, mas muito instigante.

Os estranhos de ontem e cultuados de hoje
Avatar causa estranheza em um primeiro momento? Sim. É uma arte questionável? Muito. Mas Hollywood sempre foi assim - até nisso Cameron está sendo previsível, convencional, ao quebrar conceitos para construir seu divisor de águas.

Basta resgatar algumas críticas feitas no passado sobre essas produções que hoje são tratadas como clássicos absolutos. Laranja Mecânica e 2001 - Uma Odisséia no Espaço foram considerados de mau gosto pela grande parte dos críticos. Barry Lyndon, hoje considerado um dos melhores filmes de Stanley Kubrick, foi massacrado e configurou-se em um fracasso. ...E o Vento Levou chegou a ser boicotado por grande parte dos jornalistas, por ser o primeiro filme a promover uma junket (sessão de entrevistas com atores e realizadores de uma determinada produção).

Assim como todos esses títulos, hoje essenciais para a formação de bons profissionais de cinema e de uma plateia qualificada, Avatar precisa ser digerido.

Pode ser que, em dois anos, ninguém fale mais sobre o filme. Pode ser que Avatar entre para a história como Titanic, cujo mérito é inquestionável (e não só por acumular a maior bilheteria de todos os tempos com seus mais de US$ 1,8 bilhão) - mesmo sendo cafona, datado e, hoje, motivo de vergonha para muita gente que o assistiu pelo menos duas vezes nos cinemas.

Hollywood é a campeã em produzir filmes vazios que usam efeitos de ponta para mascarar o péssimo roteiro e os furos na direção. É verdade. Mas é a mesma Hollywood responsável por bons momentos de diversão em família. O mérito dessa indústria, que produz de Avatar a Amor sem Escalas - do novo queridinho cult, o diretor Jason Reitman, indicado a seis Globos de Ouro - é que ele contempla vários tipos de público. Existe cinema para todo mundo. Ainda bem.

Redação Terra