Sem voos, passageiros se acomodam em aeroporto
Foto: Hiroko Masuike/The New York Times
- Joseph Berger
A coluna de cinzas vulcânicas pode estar a um oceano de distância, mas a cidade de Nova York também vem sofrendo as consequências da erupção vulcânica iniciada na semana passada na Islândia.
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Não apenas voos que chegam do e partem para o norte da Europa terminaram cancelados, ou aeroportos e os hoteis mais próximos a eles enfrentam problemas para atender a passageiros fatigados, irritados e desprovidos de alternativas: os eventos culturais também correm o risco de sofrer perturbações.
Os organizadores do Tribeca Film Festival, que surgiu oito anos atrás com o objetivo de ajudar a cidade a recobrar o ânimo depois do atentado de 11 de setembro, descobriu que alguns dos diretores e astros dos 85 filmes de seu programa podem se ver ilhados na Europa; o festival começará na quarta-feira (21).
Mat Whitecross, diretor do documentário Sex & Drugs & Rock & Roll, e Pascal Chaumeil, que dirigiu o longa francês Heartbreaker, talvez não consigam encontrar espaço em voos para os Estados Unidos em tempo para o festival, disse um funcionário da organização.
"Um festival de cinema não é simplesmente uma mostra de filmes", afirmou Tammie Rosen, vice-presidente de comunicações do festival. "É importante termos a presença dos cineastas, e a conversa entre eles e a plateia depois que o filme é exibido; muitas vezes, essa é a única chance de um cineasta para dialogar com sua audiência".
Os organizadores do festival estão tentando não só alterar o itinerário de viagem dos participantes, para evitar os países que estão mais prejudicados pelo vulcão, como também, se não houver outro recurso, organizar a tecnologia necessária a permitir que participem virtualmente ¿via satélite ou de outra maneira.
No domingo, os viajantes europeus reunidos nos saguões dos hoteis mais próximos ao aeroporto internacional John Kennedy (JFK) pareciam frustrados e perplexos, em muitos casos.
No Marriott Courtyard, Kerri McDonald, 37, estava procurando freneticamente nos sites de viagens, em um computador do saguão, por uma rota alternativa para seu retorno a Londres, depois de uma semana de férias em Nova York com o marido Scott. O pior de estar presa do lado norte-americano do Atlântico, no caso de McDonald, era o fato de que seus filhos, de 11 e 16 anos, ficaram aos cuidados dos avós. Como uma pessoa que se vê apanhada em um medonho congestionamento, McDonald procurava desesperadamente por um caminho alternativo, como por exemplo viajar de avião até a Espanha, e em seguida ir de trem a Paris (uma viagem de dois dias) e de lá apanhar o Eurostar para Londres.
Os agentes de viagens informaram a ela que o avião em que eles deveriam retornar à Europa havia sido o último a pousar nos Estados Unidos antes da erupção na Islândia, e que estava preparado para partir tão logo as condições atmosféricas assim permitam. Outros passageiros que deveriam ter apanhado o mesmo voo afirmam ter recebido informação semelhante. "Há muita gente que nem faz ideia do que está acontecendo", disse McDonald. "Quando perguntamos aos agentes de viagem, cada um deles oferece uma resposta, e isso agrava a ansiedade".
"É um momento muito desagradável para todos", disse ela. "Nós tentamos nos consolar dizendo que pelo menos temos um quarto de hotel, não precisamos esperar no chão do aeroporto".
No JFK, os viajantes à espera da liberação de suas partidas não estavam exatamente dormindo no chão, mas se espalhavam por dezenas de catres montados no terminal 4, ao lado de suas pilhas de bagagens. "É horrível", disse Emilie Rigaud, 25, que estava esperando para retornar à França com sua família, em um voo da Swissair.
Mas outros passageiros estavam tentando aproveitar da melhor maneira possível o imprevisto. Beatrice Sanatier, 41, do sul da França, estava visitando Nova York com cinco adolescentes, quatro dos quais seus filhos. Eles estão no aeroporto desde a quinta-feira, e vêm lavando cabelos e roupas sujas nas pias do banheiro. Um varal improvisado ao lado de seus catres mostrava uma fileira de meias secando.
"Para os adolescentes, é como uma aventura", disse Sanatier, ainda que Perrine, 18, sua filha, tenha dito que se sente cansada e nada confortável, devido à falta de banhos.
A prefeitura de Nova York e a NYC & Company, a empresa municipal de turismo, ofereceram descontos de 15% nos hotéis e transporte para Manhattan, aos passageiros cujas linhas aéreas não tenham oferecido quartos gratuitos de hotel.
Mas até mesmo os passageiros hospedados em hotéis estavam perdendo a paciência.
Alan e Avril Maloney e sua filha de 25 anos, Elizabeth, passaram uma semana em Nova York para celebrar o 60° aniversário de Avril, mas estão no International JFK Airport Hotel, em Jamaica, Queens, desde a quinta-feira.
"As férias foram ótimas, mas agora as coisas perderam a graça", disse Maloney, dirigente de um sindicato na Inglaterra.
Na tarde de domingo, ele e a mulher estavam no saguão, ele lendo um livro sobre música clássica e ela com uma pilha de revistas de palavras cruzadas que já tinha resolvido; os dois não estavam interessados em visitar as ruas residenciais próximas. "Não é o tipo de área em que se pode passear", disse Maloney. "Não sabemos exatamente onde estamos".

- The New York Times


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