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 'Sex and The City 2': com açúcar e com afeto para as fãs
26 de maio de 2010 09h03 atualizado às 12h02

Miranda (Cynthia Nixon), Carrie (Sarah Jessica Parker) e Samantha (Kim Cattrall) em cena de 'Sex and The City 2'. Foto: Warner/Divulgação

Miranda (Cynthia Nixon), Carrie (Sarah Jessica Parker) e Samantha (Kim Cattrall) em cena de 'Sex and The City 2'
Foto: Warner/Divulgação

Pense em uma travessa de brigadeiro, salpicado de quilos de chocolate granulado, em uma taça gigantesca de morangos com chantilly e suspiros esculturais ou em um balde de sorvete de doce de leite da Häagen-Dazs (um dos sorvetes mais doces e calóricos do mercado). Se o filme Sex And The City 2 fosse um doce poderia ser qualquer uma dessas três opções. Adocicado, exagerado, mas de lavar a alma (feminina) e lamber os lábios de bom!

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Sim, o segundo filme com a "grife nova-iorquina" inventada pela escritora Candace Bushnell e personificada na telinha e na telona por Kim Cattrall (Samantha Jones), Kristin Davis (Charlotte York/Goldenblatt), Cynthia Nixon (Miranda Hobbes) e Sarah Jessica Parker (Carrie Bradshaw/Preston) - principalmente por ela, que além de uma das estrelas é produtora do seriado e do filme - é uma delícia (por mais que os maridos e namorados tenham torcido contra, ainda mais aqueles que serão obrigados a trocar uma sessão de Homem de Ferro 2 ou Fúria de Titãs por uma de Sex And The City 2, para o bem de seus relacionamentos).

Quando foi anunciada a sequência de Sex And The City, o maior medo de quem é fã da série era se defrontar com um filme que não fosse totalmente comprometido com o espírito do programa original, percepção sentida por algumas aficionadas em relação ao primeiro filme - mas vale lembrar que Sex And The City, lançado há 2 anos, rendeu mais de US$ 415 milhões nas bilheterias do mundo todo e foi esse sucesso que, com certeza, empurrou as atrizes e os produtores para uma segunda aventura do quarteto fabuloso. Porém, se o primeiro longa deixou um pouco a desejar, quem for ao cinema conferir o segundo não irá se decepcionar.

Mais é mais mesmo!
Mesmo com as manjadas feminices, por vezes açucaradas demais, que permearam as muitas histórias da série e o primeiro filme, as garotas do batalhão do glitter e do peep toe não se levam tão a sério desta vez, o que torna o filme mais divertido - tá, tirando a eterna chata da Carrie, que fica "cricrilando" principalmente pra cima do pobre do Big (Chris Noth), seu marido. Aliás a personagem faz, como no primeiro filme, um mea culpa pela sua malice (será que ela não aprende?)

Sex And The City 2 é exageradíssimo em tudo - pode ter coisa mais feminina que isso? A começar pelo figurino "sparkle" (para pegar carona numa das palavras chaves desse segundo episódio em tela grande), que, por causa da principal locação deste filme, a auspiciosa Abu Dhabi, ganha licença poética para usar e abusar do brilho dos metais e das pedras - acessórios tão apreciados por algumas culturas árabes.

A maga estilística Patrícia Field, que assina o figurino, faz a festa com as cores primárias (true colors) em seu estado prá lá de bruto e quase sempre acompanhadas dos cintilantes ouro e prata, transformando as quatro protagonistas em Sherazades do mundo fashion.

As atitudes e os diálogos também estão superlativos - é importante esclarecer aos desavisados que este é um filme de mulheres elevadas à quarta potência !

Samantha está mais desbocada e depravada do que nunca, Miranda está levíssima e até Charlotte pragueja contra a sua tão sonhada maternidade - claro, do seu jeito York de ser.

Cenas impagáveis e que valem cada centavo do ingresso: o casamento gay das BAs (bibas-amigas) Stanford (Willie Garson) e Anthony (Mario Cantone), o desabafo das mães Charlotte e Miranda regado, claro, a muito Cosmopolitan - o drinque oficial da trupe - e o piti de Samantha no mercado popular de Abu Dhabi, quando sua bolsa Birkin é estraçalhada.

O pano de fundo de Sex And The City 2
Pra quem quer saber da história, que serve de bandeja para todos os elementos fashion e os diálogos espirituosos reinarem, aí vai:

- dois anos após o casamento de Carrie e John/Big, as quatro superamigas, em sintonia com o momento atual mundial, estão em crise. A romântica Charlotte, quem diria, vê seu casamento perfeito abalado por uma babá de traços nórdicos supertalentosa (em todos os sentidos); Miranda está em crise no trabalho ¿ sua mola propulsora; a insaciável Samantha, aos 52, se vê às voltas com os calores e o high-low de humores da menopausa; e Carrie continua, sem motivo real e aparente, pegando no pé do coitado (e cada vez mais gato ) John "Big" - um verdadeiro Cary Grant do terceiro milênio, que, no meio do filme, propõe o melhor dos casamentos (com dias de folga!). Meu Deus, o que mais ela quer além de um marido rico, lindo, compreensível, que a ama verdadeiramente e vive com ela num megapê no endereço mais charmoso e chique da face da Terra?

Consideração final
Ok. Os elementos recorrentes da série e do primeiro filme voltam, mas com tanta graça, acidez, brilho (supertendência) e talento que tudo passa e vale. É difícil pensar que Sex and The City possa virar uma franquia como O Exterminador do Futuro (1984, 1991, 2003 e 2009) ou Jogos Mortais (que teve sete filmes), mas, se as sequências forem tão bem feitas quanto este Sex And The City 2, até que não seria uma má ideia.

Redação Terra