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Cinema

 
 

Terra visita Pixar e conta como é o coração do estúdio

24 de junho de 2010 15h36

Lotso cumprimenta os visitantes da Pixar. Foto: Fábio M. Barreto/Divulgação

Lotso cumprimenta os visitantes da Pixar
Foto: Fábio M. Barreto/Divulgação

Alguns dias nascem para ser especiais. E o clima diferenciado começou quando o ônibus da imprensa mergulhou na névoa que envolvia a Bay Bridge, de San Francisco, a caminho de Emeryville, onde fica a sede da Pixar Animation Studios.

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A sensação de estar migrando para o mundo assustador de Stephen King ficou para trás, embora a visão do topo da Golden Gate Bridge, do outro lado da baía, no lado esquerdo, praticamente oculta pelo nevoeiro ainda causasse maravilhamento, e um mundo mais cristalino aguardava a reportagem do Terra no destino. A grande placa arqueada com o nome do estúdio marcava a entrada de uma imensa área verde com diversos galpões de tijolos marrons, muito metal e vidro onde filmes como Toy Story, Procurando Nemo e Carros foram imaginados e realizados.

Em meio às arvores, uma grande construção. É o novo prédio, parte da expansão. Tudo é festa, afinal, até hoje a Pixar nunca errou em seus filmes e registra o sucesso atrás do outro. Finanças bem organizadas refletem em funcionários felizes, afinal de contas, como não se empolgar num ambiente de trabalho daqueles?

Logo na entrada do prédio principal está a emblemática lâmpada da Pixar, assim como aquela bola azul e amarela com uma estrela vermelha no centro recebem os visitantes. Como é hora de Toy Story 3, uma placa indicativa da creche Sunnyside completa o visual, ao lado de mesas recreativas utilizadas pelos funcionários. No lado oposto do prédio, um pequeno grupo de animadores faz aula de yoga. O cenário é bucólico e motivador. Mas é dando os primeiros passos dentro do galpão principal que o turbilhão de referências e itens dignos de inveja tomam a visão.

Personagens como Sully e Mike, de Monstros S.A., Guido e Lightning McQueen, de Carros, dão as boas vindas em grande escala. Uma mesa de bilhar é protegida pelo eterno abraço de Buzz e Woody, esculpidos em Lego. Inevitável não notar uma prateleira envidraçada cheia de peças douradas: 5 dos 26 Oscars vencidos pela Pixar, assim como troféus de diversas outras premiações vencidas pela companhia.

Um grande espaço habitualmente vazio serve como saguão principal. Cada um dos lados exibe estruturas metálicas e envidraçadas tomadas por escritórios, salas de reunião e show rooms. A iluminação natural dá conta do recado e mantém o ambiente convidativo. Da porta de entrada poderia se ver um gigantesco painel localizado ao fundo do saguão, que, no momento, está ocupado por uma pintura de Buzz Lightyear e Woody observando o horizonte.

Entretanto, há algo no caminho: uma gigantesca réplica da Casa dos Sonhos de Ken (Michael Keaton), com direito a elevador operacional, inúmeras roupas vestidas pelo boneco, cozinha totalmente equipada (com tudo de plástico, claro) e um bonachão Lotso, um dos novos personagens de Toy Story 3, cuja voz é feita por Ned Beatty. É a realização do sonho de qualquer fanática pela boneca Barbie.

O Terra foi convidado a conhecer o ambiente de trabalho da equipe de Toy Story 3. Pela filosofia de trabalho de John Lasseter, cada equipe deve mergulhar em seu tema, portanto, o prédio sofre uma constante metamorfose a cada novo filme, a cada nova fase dos projetos, tudo de acordo com a necessidade dos integrantes da equipe. As referências estão por toda a parte. Sejam elas modelos dos primeiros testes para Toy Story, como, por exemplo, Lunar Larry - primeiro nome dado a Buzz Lightyear -, imagens conceituais das principais cenas ou mesmo desenhos feitos por crianças das creches visitadas pela equipe e, claro, os filhos dos funcionários da Pixar. Paredes, teto, área de descanso, cozinha, tudo é utilizado e nenhum espaço fica vazio.

O pessoal não liga, afinal, uma rápida olhadela para dentro dos escritórios revela verdadeiras coleções de action figures, estátuas, brinquedos e outros objetos típicos da vida nerd tomam conta dos espaços. Também há espaço para a descontração e aquele sempre bem-vindo mico coletivo. Um painel repleto de fotos das "festas da firma" exibe as fantasias do último Halloween, John Lasseter levando uma pegadinha de seus colegas, e diversos outros eventos corriqueiros no dia-a-dia da Pixar. A piada interna pode até ser boa, mas fica difícil tirar os olhos das estátuas gigantes da Família Pêra, de Os Incríveis.

Numa das salas do estúdio está um item tecnologicamente impressionante: uma impressora capaz de imprimir modelos tridimensionais. Ou seja, é só mandar imprimir e o resultado vai ser uma estátua física e colorida do personagem ou elemento em questão. Funcionando à base de resina, tinta e secagem rápida, a ferramenta permite aos animadores conferir os detalhes in loco. Tudo pode ser feito em 3D e o resultado final é um arquivo digital, mas quanto mais real melhor.

Enquanto os animadores batalham em seu meticuloso trabalho de composição das cenas, os diretores passam a maior parte de seu tempo numa das três salas de projeção da casa. A maior e mais austera delas serve como cinema próprio, devidamente equipado com tecnologia 3D - um RealD experimental também utilizado na sala de projeção interna da Walt Disney Animation, em Burbank; as outras duas, uma de cada lado da principal, são as salas de trabalho com telas menores, controles posicionados no centro da sala, quadros de momentos memoráveis da Pixar nas paredes laterais. É a versão do século XXI para as famosas "sweat boxes" (salas de suor) instituídas por Walt Disney: basicamente, uma sala para todos os envolvidos assistirem, debaterem e mudarem; Disney só deixava o pessoal sair depois que tudo estivesse definido. Elas eram quentes e ninguém escapava do suadouro, daí o nome.

Por ser um prédio muito alto, e com esse saguão no meio do caminho, os dois lados são unidos por uma ponte metálica. E é lá do alto que acontece um dos maiores eventos internos da Pixar: o campeonato de avião de papel! Quem voar mais longe, vence! Parece bobo, mas a engenhosidade e criatividade envolvida na criação das aeronaves reflete o espírito daquele local.

É impossível não se apaixonar, não querer abrir todas as portas, conversas com todas as pessoas e experimentar, nem que por um pouco, a sensação de fazer parte da grande máquina de clássicos modernos, que transformou a animação em coisa séria e não para de nos surpreender.

Especial para Terra