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Pelé foi prestigiar o Festival de Cannes, nesta terça-feira, para apresentar Pelé Eterno, um documentário dedicado à sua vida e sua carreira. Na cerimônia de apresentação do longa-metragem, o craque contou que sonhou em ser ator.
Especial Festival de Cannes 2005
"Quando era mais novo, pensei em ser ator se a carreira de jogador de futebol não desse certo", afirmou o "Rei do Futebol", 64 anos, para os poucos jornalistas que foram ouvi-lo num hotel de Cannes.
Pelé já teve uma pequena experiência de ator no cinema estrangeiro. Em 1981, ele protagonizou Fuga para a Vitória, um curioso filme de John Huston em que prisioneiros de um campo de concentração alemão durante a Segunda Guerra Mundial formam um time de futebol. Além de Pelé, atores como Michael Caine e Sylvester Stallone atuaram no longa-metragem.
"No roteiro original, eu devia ser o goleiro e Stallone devia ser o atacante. Mas ele era tão ruim de bola que John Huston quis que invertêssemos nossos papéis", contou Pelé.
Detalhes da brilhante carreira e da vida pessoal de Pelé são retratados em Pelé Eterno, realizado pelo brasileiro Anibal Massaini Neto.
"O filme não é apenas uma seqüência de gols. Também há detalhes sobre minha vida e muita emoção. Se quisessem colocar na tela todos meus gols, seria preciso fazer Pelé Eterno II e Pelé Eterno III", brincou o ídolo.
"Quando disputei minha primeira Copa do Mundo, em 1958, fui comparado a Kopa, Piantoni ou a Di Stefano. Depois, para determinar quem era o melhor jogador do mundo, me compararam a Sivori e a Eusébio, em seguida a Platini e a Cruyff, e finalmente a Maradona. É maravilhoso ser sempre comparado aos melhores", disse.
"Há alguns anos, um jornalista brasileiro me perguntou quem seria o novo Pelé. Respondi brincando que nunca mais haveria outro, que meus pais haviam quebrado o molde", recordou.
Pelé, que ainda acompanha religiosamente o futebol, teceu elogios ao francês Zinedine Zidane. "Ele é o melhor jogador da última década, pois tem sido o mais constante", opinou.
Como muitos outros, o homem que foi ministro dos Esportes em seu país denunciou as inversões atuais do mundo futebolístico. "A nova geração só pensa em dinheiro. Hoje, um jogador é transferido ao Real Madrid e ao ser apresentado ao público, ele beija a camisa dizendo: 'Eu adoro o Real'. Mas se ele for transferido alguns meses depois para a Roma, ele beijará esta camisa dizendo: 'Eu adoro a Roma'", afirmou.
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