| Reuters |
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| Irmãos Dardenne foram os grandes vencedores da Palma de Ouro |
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A Palma de Ouro deste ano foi para um filme considerado "realista" ou de temática social, o longa dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, L'Enfant.
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Especial Festival de Cinema de Cannes 2005
De acordo com Luc Dardenne, o rótulo social é ruim, assim como todos os rótulos. "Mas este é o problema de todos que fazem alguma forma de arte, fica mais fácil para as pessoas colocarem um rótulo, talvez para arquivar estas obras. Mas espero que o cinema não seja reduzido a isso", acrescentou.
"Estamos felizes, é uma sensação estranha, ainda precisamos voltar à terra", disse Jean-Pierre.
L'Enfant conta a historia de dois jovens em uma pequena cidade da Bélgica. Sonia, interpretada por Debora Francois, 18 anos, acaba de ter um filho e vive de benefícios do governo.
Bruno, o pai, interpretado por Jeremie Renier, vive de pequenos roubos e até tenta vender o próprio filho.
"Tentamos usar cenários realistas, na nossa cidade. Criamos nossas historias lá", ccontou Jean-Pierre.
"Estamos felizes, este é um filme de atores, a Palma de Ouro é deles pois eles foram extraordinários e nós temos que agradecer", disse Jean-Pierre durante a entrevista logo após a entrega dos prêmios.
"Houve muita tensão e agora estou feliz, não me importo com o que júri conversou, como eles tomaram esta decisão", acrescentou Luc.
Os Dardenne já haviam vencido a Palma de Ouro de Cannes em 1999, com o filme Rosetta.
Contradição
Para Jim Jarmusch, vencedor do Grande Prêmio do Júri com seu longa Broken Flowers, dar prêmios para qualquer forma de expressão é uma contradição.
"Nao é que eu ache que prêmios não deveriam ser dados. Apenas acho, pessoalmente, contraditório dar prêmios a formas de expressão. O cinema é uma forma de expressão tão bela, não pode ser julgado por grupos. Mas não sou contra prêmios, pois eles ajudam os filmes", afirmou.
Para o cineasta americano, Cannes é um lugar querido pois é um festival em que a nacionalidade não importa.
"Cannes apóia o cinema independente americano, de Taiwan, italiano. Morte aos limites de nacionalidade! Cannes é o lugar onde todos nos sentimos da mesma tribo. Não sei se meus filmes seriam possíveis sem Cannes. É uma grande ajuda para mim", afirmou o diretor.
O roteirista mexicano Guillermo Arriaga, premiado com a Palma de Ouro de melhor roteiro pelo filme The Three Burials of Melquiades Estrada, revelou que já sonhava com o festival quando era jovem.
"Quando eu era jovem, viajei pela Europa com meu irmão, apenas com uma mochila. Passamos por aqui, apontei o Palais (sede do festival) e disse a ele que queria voltar um dia. É uma grande honra", disse.
Arriaga espera que seu prêmio vá ajudar a industria cinematográfica mexicana.
"Falamos sobre os filmes de (diretores mexicanos como Alfonso) Cuaron e (Alejandro Gonzales) Iñarritu, mas produzimos apenas dez filmes por ano", disse.
Tommy Lee Jones, diretor do longa e premiado com a Palma de Ouro de melhor ator, afirma que o talento mexicano precisa ser mostrado.
"O talento mexicano não é baseado em cinismo, mas sim em cinema. Uma indústria pobre, não há muitos filmes por ano, mas os que são feitos têm valor. O futuro deles é brilhante."
Para o ator e diretor, o que o surpreendeu foi a quantidade e a qualidade do público em Cannes.
"Estive aqui com um filme e eram 3 mil pessoas de coração e mente abertos na platéia. É um sonho, você pensa que um dia vai ver três mil pessoas como se fossem uma única mente, cheias de alegria", afirmou.
Diretor
Michael Haneke, que levou a Palma de Ouro de melhor diretor pelo filme de suspense Caché, já avisou que seu próximo projeto será a direção de uma ópera em Paris.
"Vou dirigir Don Juan. Estou preparando, escrevendo o roteiro. Já fiz teatro há 20 anos, mas nunca fiz ópera", contou.
Quanto ao prêmio, Haneke espera que a Palma de Ouro consiga atrair mais público.
"Não é um 'blockbuster' como Guerra nas Estrelas, mas quero ter um grande público. Quero ver um dia na (revista) Variety: 'Michael Haneke derrota George Lucas'", disse, entre risos, o diretor.
Hanna Laslo, a atriz isralense que foi premiada com a Palma de Ouro por sua atuação em Free Zone, de Amos Gitai, conta que sua experiência como comediante ajudou-a a trabalhar em um drama.
"É um clichê, mas todo bom comediante é bom em dramas, pois risos e lágrimas são tão próximos, são terapias", afirmou.
O longa conta a história de três mulheres, uma americana filha de pai judeu, interpretada por Natalie Portman, uma palestina, protagonizada por Hiam Abbas, e uma motorista de táxi isralense, Laslo.
As três partem em uma jornada para a Zona Livre, uma área na Jordânia onde o comércio entre árabes e israelenses sofre poucas restrições. Obviamente, o conflito no Oriente Medio é um dos temas do filme.
"Nossos temas estão sempre nos noticiários. E a única forma de tocar neste tipo de assunto é com um certo humor, mostrar situacões engraçadas e tristes. Amor e perdão são também formas de tocar em assuntos como este", disse a atriz.
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