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O 58º Festival de Cinema de Cannes chega ao fim neste domingo em um ambiente de calma, depois da tensão da cerimônia de premiação que coroou com a Palma de Ouro os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne por L'enfant (O Menino). Além dos filmes premiados, esta edição teve um vencedor incontestável: a Sétima Arte.
Os dramas sociais de marginais, a migração clandestina e a guerra, e o homem diante da paternidade foram os temas predominantes da premiação que, apesar de ter surpreendido muitas pessoas, não provocou os protestos dos espectadores, como já aconteceu em várias ocasiões em Cannes.
É verdade que o júri, presidido pelo cineasta sérvio Emir Kusturica, teve que fazer uma escolha difícil, dada a diversidade, a criatividade e a grande qualidade cinematográfica da seleção, na qual os críticos enxergavam pelo menos meia dúzia de possíveis Palmas.
E se o favorito da maioria, o filme Caché (Escondido), do austríaco Michael Haneke, teve que se contentar com o prêmio de consolação de melhor direção, o agraciado com a Palma de Ouro, L'enfant, também estava bem cotado, assim como Broken flowers do americano Jim Jarmusch, que recebeu o Grande Prêmio do Júri, espécie de segundo lugar do festival.
Drama social um, comédia agridoce o outro, L'enfant e Broken flowers têm apenas um ponto em comum: o tema do homem diante da paternidade, um dos que predominou nesta edição de Cannes.
O filme The three burrials of Melquiades Estrada (Os três enterros de Melquiades Estrada), estréia na direção do ator americano Tommy Lee Jones, recebeu dois prêmios. Melhor ator para o próprio Jones e melhor roteiro para o mexicano Guillermo Arriaga.
Com a Palma de Ouro para L'enfant, Jean Pierre e Luc Dardenne, que já haviam recebido o prêmio principal de Cannes por Rosetta em 1999, entraram para o exclusivo círculo de cineastas laureados com duas Palmas de Ouro (o sérvio Emir Kusturica, o dinamarquês Bille August, o americano Francis Ford Coppola e o japonâs Shohei Imamura).
O filme dos irmãos Dardenne, uma obra dolorosa e comovente, comprova a reputação dos dois como cineastas sem concessões da realidade social.
Com L'enfant, Jean-Pierre Dardenne, 54 anos, e Luc Dardenne, 51, falam sobre a paternidade e a passagem à idade adulta, sempre utilizando seu tom neo-realista e áspero, sua marca registrada, já empregada em seus filmes anteriores, notadamente Le Fils, que valeu a Olivier Gourmet o prêmio de interpretação masculina do Festival de Cannes em 2002.
L'enfant conta a história de Bruno, delinqüente de 20 anos, que vive de furtos e cuja namorada, Sonia, dá à luz. Uma paternidade que não comove o jovem, habituado a viver cada instante e a assegurar sua subsistência no dia-a-dia. Bruno comete o pior dos crimes, vendendo seu filho para conseguir um pouco de dinheiro.
Jim Jarmusch aborda com humanidade e humor sincero o desejo de ser pai com a aproximação da velhice em Broken Flowers, que conta com as interpretações de Bill Murray, Sharon Stone e Jessica Lange.
The three burrials of Melquiades Estrada mostra de maneira pungente o drama vivido pelos mexicanos que emigram clandestinamente para os Estados Unidos.
A história é a da insólita viagem de um texano para cumprir a promessa feita a um amigo, imigrante clandestino mexicano asassinado por um guarda de fronteira: enterrá-lo em sua aldeia no México. No entanto, ele tem que fazer a viagem ao lado de um homicida.
O percurso, filmado em imponentes paisagens, com tons épicos de western e salpicado de encontros com personagens comoventes, será revelador para os dois homens.
Outro drama, o de um território em conflito, é o tema de Free Zone do cineasta israelense Amos Gitai, que valeu o prêmio de interpretação feminina a Hanna Laslo por seu papel como taxista neste road-movie que segue três mulheres, uma israelense, uma americana e uma palestina, pelas estradas de uma região amargurada.
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