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O clássico do cinema pornô Garganta Profunda (1972) foi filmado em apenas seis dias, custou US$ 25 mil e rendeu US$ 600 milhões. Só isso já seria motivo para se justificar um documentário. Mas o filme fez muito mais, se tornou alvo de debates acalorados sobre liberdade de expressão e sacudiu a sociedade norte-americana.
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Mais de 30 anos depois, os documentaristas Fenton Bailey e Randy Barbato (os mesmos de Party Monster, tanto o documentário, quanto a ficção) investigam os bastidores dessa produção e o que ela representou para o país.
O resultado está no documentário Por Dentro da Garganta Profunda, que é exibido pela última vez na 29ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nesta terça-feira, às 24h, no Espaço Unibanco.
O documentário sai em busca de todos os envolvidos com a produção e repercussão de Garganta Profunda, como o diretor Gerard Damiano e o ator Harry Reems, além de agregar testemunhos de intelectuais como os escritores Erica Jong, Camile Paglia, Gore Vidal e até mesmo Larry Flint, o rei do pornô, dono da revista Hustler.
Boa parte do filme é dedicada a contar a vida de Linda Lovelace (1949-2002), estrela de Garganta Profunda, que se tornou uma celebridade instantânea após o lançamento do longa. A atriz teve uma vida conturbada e, entre outros problemas, era espancada pelo marido.
Depois de conhecer o sucesso, abandonou o mundo da pornografia e foi alvo de críticas de feministas e machistas com a mesma intensidade. Ela acabou morrendo esquecida. Os documentaristas conversaram com a filha de Linda, que contou ter sido convidada há pouco para estrelar Garganta Profunda 7. Mas ela recusou.
Na época do seu lançamento, o jornal The New York Times chamou Garganta Profunda de pornô chique - aquele que até mães de família da alta sociedade iam o cinema ver sem nenhuma culpa - e o termo acabou pegando, sendo usado até hoje.
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