|
O produtor iugoslavo Cédomir Kolar, que participa da 29ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com o filme O Inferno, contou nesta terça-feira que irá produzir a última parte da trilogia idealizada pelo cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), que se chamará Purgatório. Especial sobre a Mostra Internacional de SP
"Para mim, o Purgatório sempre esteve entre o Paraíso e o Inferno, mas Kieslowski havia programado para deixar esta parte para o final, e estamos respeitando o projeto dele", disse. Ele falou pouco sobre a história, mas adiantou que se passa na Espanha e que se trata da questão da identidade de um indivíduo. "Será em algum grande centro urbano do país, talvez Barcelona ou Madri. E o filme deve ser falado em espanhol", explicou. "Tem a ver com a troca de identidade e uma mulher que se apaixona pela pessoa errada. É como se ela estivesse no purgatório, no meio-termo." Kolar disse que o projeto ainda não está nem em pré-produção e que primeiro irá lançar O Inferno - ainda inédito em circuito comercial ¿ e depois se dedicar ao novo filme. Por isso, não escolheu nem diretor, nem elenco. "Como Kieslowski imaginou, será dirigido por um jovem que tenha poucos filmes no currículo. Ele não pensava em dirigir os filmes da trilogia", afirmou. Por se passar na Espanha, é natural que se pense num diretor espanhol para Purgatório, mas Kolar não descarta a possibilidade de um italiano, ou até mesmo um brasileiro. "Deve ser alguém de sangue latino. É uma história muito dúbia, e essas pessoas conseguem trabalhar esse tipo de filme muito bem", disse. Um inferno divertido O longa O Inferno, dirigido pelo bósnio Danis Tanovic, teve sessões apenas em festivais, como em Toronto e na Mostra, e por isso Kolar afirmou estar curioso para saber qual será a reação do público. "A crítica se dividiu. Uns amam, outros odeiam", contou. "Muitos alegam que é muito barroco, que não é um filme do Kieslowski. Claro que não o é. É um filme do Danis Tanovic." Ele também disse não entender porque as pessoas cobram que o segundo filme de jovens diretores já tenha uma marca de uma carreira. "Muitos bons diretores faziam filmes diferentes. Cada filme de Kubrick, por exemplo, era uma experiência nova." Segundo o produtor, muitas pessoas disseram que "O Inferno" é denso e carregado demais. "O filme tem que ser assim, a atmosfera da história pede algo mais forte. Não me arrependo das decisões que tomamos." "O Inferno" tem última sessão na Mostra nesta terça-feira, às 22h, no Espaço Unibanco de Cinema.
|