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29ª Mostra Internacional de Cinema
Quarta, 2 de novembro de 2005, 08h48 
Beto Brant busca novos caminhos com "Crime Delicado"
 
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Em Crime Delicado, o cineasta Beto Brant toma outro rumo. Acostumados ao cinema de urgência, como O Invasor e Ação Entre Amigos, os espectadores que conhecem sua obra vão se surpreender com seu novo filme.

Especial sobre a Mostra Internacional de SP

Nos últimos anos, o diretor praticamente se transformou em sinônimo de um tipo de cinema que fez com seu parceiro roteirista, o escritor Marçal Aquino. São filmes que, numa primeira visão, parecem meros policiais, mas um olhar mais detalhista vê neles um reflexo da vida contemporânea nos grandes centros, entre outras coisas.

Já em Crime Delicado, adaptado por Brant, Aquino, Maurício Paroni de Castro e Luiz Francisco Carvalho Filho de um romance de Sergio Sant'Anna, o cinema "brantiniano" toma outros rumos. Aqui, ele opta por um registro muito mais intimista, numa história sofisticada e complexa.

Antonio Martins (Marco Ricca) é um crítico de teatro solitário e melancólico. Numa noite conhece num bar Inês (Lilian Taublib). Ele acaba se apaixonando e, mais do que isso, vira um obcecado pela garota.

Ela, por sua vez, é a modelo ¿ e possivelmente amante ¿ de um pintor, interpretado pelo artista mexicano Felipe Ehrenberg. Martins se surpreende ao ver uma tela que mostra sua amada em uma cena bem íntima. Nesse momento instaura-se a dúvida na cabeça do personagem.

Esse triângulo amoroso velado fica cada vez mais tenso. Afinal, Martins desconfia que o pintor esteja escravizando Inês. Na ótica dele, a moça não tem liberdade de ir e vir, e cabe a ele libertá-la.

O tal crime delicado do título do filme ganha contornos na metade da história, mudando os rumos do roteiro. A partir de então, o personagem faz um verdadeiro calvário para provar sua inocência.

O que irá surpreender os que acompanham o cinema de Brant são as novas opções do diretor. Aqui sai de cena a câmera nervosa, que não sossega nunca, empregada nos filmes anteriores. A imagem de Crime Delicado é estática, remetendo às duas artes que governam a trama: a pintura e o teatro.

Além disso, com ajuda do premiado diretor de fotografia Walter Carvalho, Brant cria em cada fotograma um quadro vivo, com cores, luz e enquadramentos que buscam a estranheza da história que ele quer contar.

Assim, ele dá chance a seus atores de ir fundo aos personagens, chegando até mesmo a criar alguns momentos de registro documental. Há representações teatrais que são avaliadas por Martins, e contam com atores como Matheus Nachtergaele e Maria Manoella em cena.

Com Crime Delicado, Brant convida a um questionamento sobre temas como arte, pintura, teatro e, acima de tudo, perfeição estética. Sem apontar respostas, o cineasta instiga discussões e explora o desejo de forma vigorosa. Este é um crime que compensa.

A última sessão do longa na 29a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece nesta quarta-feira, às 21h, na Sala Uol de Cinema.
 

Reuters

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