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O curta-metragem Meu Pai tem 100 Anos, uma poética lembrança familiar e profissional de Roberto Rossellini (1906-1977), com roteiro de sua filha, a atriz Isabella Rossellini, está em exibição na 29ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo como parte de uma homenagem ao centenário de nascimento do gênio italiano. Especial sobre a Mostra Internacional de SP
O filme de 17 minutos foi dirigido pelo canadense Guy Maddin, amigo da atriz. Ela também interpreta diversos papéis, como o dos diretores Federico Fellini e Alfred Hitchcock, do ator e diretor Charles Chaplin e da atriz Ingrid Bergman, sua mãe. "Lentamente você está sendo esquecido, papai. Já não ficaram seguidores nem apóstolos", lamenta Isabella, enquanto acaricia a barriga que representa seu pai. Em seguida, sussurra em seu umbigo: "Não sei se você foi um gênio, mas eu te amo." O curta Meu Pai tem 100 Anos estará em cartaz nesta quarta-feira, na Sala Cinemateca (20h10), e será seguido da exibição de Viagem à Itália (1953), de Rossellini. Já na quinta-feira, último dia do festival, haverá mais uma exibição, na sala 1 do Cine Bombril (14h), antes de Roma ¿ Cidade Aberta (1945). Dois longas de Rossellini na mostra Durante a tumultuada década de 1960, o ressentimento do diretor italiano Rossellini chegava ao extremo. "O cinema está morto", anunciou em clara crítica ao comercial e popularesco cinema de Hollywood, cujo fim não estava na arte, segundo ele, mas no entretenimento e lucratividade. Considerado o pai do neo-realismo cinematográfico, movimento concebido depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial, quando nasceu também o existencialismo, Rossellini se dedicou integralmente ao cinema. Suas obras não escondem toda a sua poética humanista que somou a vigorosos temas históricos. O despojamento formal estaria na óptica dos atores amadores no elenco e cenas em locações reais, que ressaltavam o caráter documental das narrativas. Esse é o caso, por exemplo, de Roma ¿ Cidade Aberta considerada a maior obra do cineasta. Viagem à Itália, a outra produção de Rossellini exibida na Mostra, é um verdadeiro marco do cinema moderno, que influenciou cineastas, como Michelangelo Antonioni, François Truffaut e Jean-Luc Godard. Uma grande história, que mostra o vazio existencial dos personagens em uma Itália destruída por guerras e regimes totalitários.
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