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Em 1992, o irlandês Neil Jordan entrou no mapa do cinema mundial com seu drama Traídos Pelo Desejo, ganhador do Oscar de melhor roteiro original. O filme fez sucesso e polêmica por onde passou, não apenas por se tratar de terrorismo, mas principalmente por trazer um transexual como protagonista.
A grande sacada de Jordan foi induzir todos a pensar que se tratava de uma mulher, e no meio do filme expor explicitamente que era um homem. Isso transformou o longa de mero suspense a uma complexa história de amor.
Treze anos e oito filmes depois, Jordan retoma o tema da identidade sexual, mas com um registro diferente. Em Café da Manhã em Plutão, o protagonista é Patrick "Gatinha" Braden, interpretado por Cillian Murphy, um travesti que vive na Irlanda e Inglaterra dos anos 1960 e 1970.
O longa tem sua última sessão na 29ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nesta quinta-feira, às 22h, no Espaço Unibanco de Cinema.
Dividido em capítulos, o filme é quase uma crônica da vida de Patrick, com diversas aventuras do personagem ao longo dos anos, quase sempre refletindo a relação tensa entre os dois países.
Nascido na Irlanda, filho de um padre com uma empregada, o rapaz nunca conheceu sua mãe e é criado por uma família adotiva que não o trata bem. E apesar de ter contato com o pai, por muito tempo não sabe que é filho dele. Quando descobre a sua afinidade com o mundo feminino, Patrick começa a se vestir com roupas extravagantes e usar maquiagem.
Ele acaba se envolvendo com o líder de uma banda de música pop e os dois chegam até a morar juntos. Mas a felicidade do rapaz não dura muito, pois descobre que seu amado está envolvido com o IRA.
Mas isso não o impede de sair em busca da felicidade, cruzando com outros diversos amores e perigos. Patrick nunca perde o bom humor e vai para Londres procurar sua mãe que, ao que consta, parece ser uma estrela de cinema.
O roteiro, assinado pelo diretor, é baseado num livro de Patrick McCabe. Está não é a primeira vez que Jordan adapta esse escritor - ele já havia levado às telas Nó Na Garganta (1997), que também causou polêmica ao mostrar um garoto com instintos psicopatas.
Em Café da Manhã em Plutão, Jordan opta por um registro bem colorido dos loucos anos 1960 e 1970. O visual cheio de brilho, plumas e paetês lembra a atmosfera de Velvet Goldmine (1998), de Todd Haynes, também situado na Londres da mesma época.
A trilha sonora só contribui para se fazer uma verdadeira viagem no tempo. Estão lá clássicos pop como Honey, de Bobby Goldsboro, Children of Revolution, do T-Rex, e Madame George, de Van Morrison, entre outros achados da época.
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