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 Nova safra de filmes questiona o porquê dos homens-bomba
04 de novembro de 2005 17h33 atualizado às 18h20

Rodar Paradise Now, história de dois mecânicos tranquilos que se tornam homens-bomba, não foi fácil para o diretor palestino Hany Abu-Assad, que teve de ir atrás de dinheiro, escapar de um míssil israelense, das minas terrestres e das ameaças dos extremistas.

Mas a filmagem em Nablus, onde o gerente de locação do filme chegou a ser seqüestrado como uma advertência das facções que temiam críticas, foi apenas um obstáculo.

O filme, que agora estréia pelos Estados Unidos, divide a cena com outros dois longas-metragens de ficção que tratam da mesma questão: o que faz uma pessoa virar um homem-bomba, pronto para se matar e tirar a vida de desconhecidos inocentes?

É a promessa do paraíso, das virgens, um ato de vingança, coragem, desespero ou impotência?

Também em exibição atualmente está The War Within, de Joseph Castelo, sobre um grupo paquistanês que planeja explodir a Grand Central Station de Nova York como uma continuação do 11 de Setembro. O filme de Castelo concentra-se no choque de valores entre Ocidente e Oriente e obteve críticas respeitosas.

No mês que vem será lançado Syriana, thriller de US$ 50 milhões estrelando George Clooney, que lida em parte com a mesma questão - mas ao estilo do grande mercado, feito por Steven Gaghan, que escreveu Traffic, elogiado filme sobre drogas.

Nem Paradise Now nem War Within defendem os homens-bomba, mas querem que o espectador entenda o contexto que produz tais atos - porque, como diz Abu-Assad, entender é o primeiro passo adiante.

Uma cena de seu filme se passa numa locadora de vídeos que vende fitas gravadas por suicidas que explicam suas ações para inspirar seguidores.

Injustiça e impotência
Abu-Assad diz acreditar que o sentimento de impotência alimenta os ataques. E as palavras de seus personagens sublinham esse pensamento enquanto é mostrada a vida cotidiana deles no território ocupado.

"Sob a ocupação, já estamos mortos...Nesta vida estamos mortos de qualquer modo...Se não podemos viver como iguais, ao menos podemos morrer como iguais", são palavras que se repetem no filme.

O diretor diz: "O sentimento de impotência é tão forte que eles cometem suicídio e matam outras pessoas para dizer 'Não sou impotente'. É uma situação muito complexa, mas o fator dominante é a situação de injustiça."

O filme, em parte financiado por Israel, está sendo exibido no país com boas críticas tanto lá como na Cisjordânia. "Em Israel, a reação é a mesma. As pessoas julgam a obra como um filme - ele é crível. Não há um israelense, há muitos israelenses que percebem o jogo da política como o maior problema."

A Autoridade Palestina inscreveu o trabalho para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro e será interessante verificar se ele chega aos cinco finalistas. Mas Abu-Assad disse ter recebido reclamações de dentro do governo de que o filme é muito ocidental.

Ele afirma que o filme não impõe um ponto de vista, mas tenta mostrar "algo invisível e que nunca havia sido feito antes".

Reuters
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