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Um novo documentário exibido nesta semana, em Toronto, sobre o romance O Código Da Vinci, best-seller escrito por Dan Brown, revela o descontentamento generalizado existente no mundo com a religião organizada, disse o diretor do filme, Jonathan Stack.
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"Esta é uma viagem espiritual, uma busca por significado", disse o cineasta veterano, ganhador de um Emmy, diante da sala repleta onde, na segunda-feira, foi exibido o filme Secrets of the Code, durante o 13º festival anual de documentários de Toronto, Hot Docs Film Festival.
O livro, sucesso mundial de vendas, já inspirou muitos documentários mas, segundo Stack, seu objetivo era fazer desacreditar a proposta de Brown.
"Não estamos tentando mostrar se o que diz Dan Brown é certo ou errado, mas entender as raízes do fenômeno", disse Stack.
O cineasta informou que, embora a obra de Brown seja superficial e esteja cheia de erros, seu sucesso é sinal de que as pessoas estão insatisfeitas com a religião organizada e estão procurando respostas espirituais.
O documentário percorre as antigas catacumbas de Roma e passa das igrejas da França e da Escócia ao Templo do Monte, em Jerusalém, mas não é um filme sobre viagens, mas um conjunto de entrevistas com especialistas apaixonados pelos temas e as interrogações que surgem do romance.
As igrejas cristãs catalogaram O Código Da Vinci como um ataque contra a sua fé, um assistente do Papa Bento XVI o chamou inclusive "um romance perversamente anticristão".
O documentário de Stack, de 90 minutos, está baseado no livro Os Segredos do Código, de Dan Burstein, que vendeu mais que todos os livros juntos, oferecendo "um guia" para ler o livro de Brown.
O filme, que tem entre seus produtores o próprio Burstein, inclui interpretações intelectuais, políticas e religiosas das referências do romance e suas possíveis mensagens.
Incluído no último momento do festival de documentários de Toronto, o segundo mais importante do mundo depois do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, o filme de Stack se apresenta como uma "obra em andamento".
As principais mudanças na versão final serão a incorporação de um novo narrador - a atriz americana Susan Sarandon - e uma melhor qualidade visual e sonora.
Um dos conceitos de destaque em O Código Da Vinci é a idéia de que Maria Madalena era a esposa de Jesus e a mãe de seus filhos, que seu ventre era o lendário Santo Graal e que ela mesma aparece na tela A Última Ceia, de Leonardo Da Vinci.
O documentário inclui estes detalhes, mas põe ênfase de forma generalizada na figura feminina sagrada, outrora um aspecto das religiões ancestrais e agora degradado.
"A figura feminina sagrada se reduziu à da mulher que faz cair em tentação", destaca o narrador do documentário de Stack.
O cineasta disse nesta segunda-feira aos espectadores que havia tentado se aproximar de Brown, mas não obteve resposta. "Espero que veja o filme e me responda", disse Stack.
Os Segredos do Código será apresentado no Festival de Cinema de Cannes, onde em 19 de maio estreará o filme do americano Ron Howard sobre o próprio livro de Brown.
O comentado filme O Código Da Vinci, que contou com um orçamento de US$ 100 milhões, é protagonizado pelo ator americano Tom Hanks e os franceses Audrey Tautou (Amélie Poulain) e Jean Reno (Rios Vermelhos).
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