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Cinema e DVD
Domingo, 18 de maio de 2003, 22h45 
Tragédias em escolas dos EUA em destaque em Cannes
 
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Pelo segundo ano consecutivo, o Festival de Cinema de Cannes exibiu um filme sobre os casos de morte de várias pessoas em tiroteios em escolas americanas. Mas os dois filmes não poderiam ser mais diferentes.

Em Cannes 2002, o documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore, foi aplaudido pelo olhar intransigente que lançou sobre a cultura das armas de fogo nos EUA. O filme acabou por ganhar um Oscar.

Em Elephant, exibido em Cannes no domingo, o diretor Gus van Sant usa adolescentes "da vida real", ou seja, não atores, de sua cidade natal - Portland, Oregon - para pintar um quadro impressionista do cotidiano numa escola de ensino médio que degringola em tragédia de uma hora para outra.

A inspiração do título veio de um filme dirigido em 1989 pelo cineasta britânico Alan Clarke, retratando a brutalidade implacável dos assassinatos de católicos por protestantes e vice-versa na Irlanda do Norte. No final, as mortes se tornaram tão "fáceis" de ignorar quanto um elefante numa sala de jantar.

Van Sant observou que, entre 1997 e 1999, as escolas dos Estados Unidos foram palco de oito casos em que estudantes saíram matando seus colegas e professores.

O mais infame desses incidentes aconteceu na escola Columbine, no Colorado, onde dois alunos mataram 13 pessoas e em seguida se suicidaram.

"Os casos de tiroteios em escolas americanas tinham chegado ao recorde histórico. Eu quis fazer alguma coisa que captasse o ambiente dos adolescentes que frequentavam a escola naquela época", disse o diretor a jornalistas.

Van Sant é um grande admirador do documentário de Moore, mas diz que seu filme e Tiros em Columbine têm abordagens totalmente diferentes. O documentário de Moore, afirmou, "é um filme investigativo e que procura respostas", enquanto Elephant não faz qualquer tentativa de resolver o enigma da violência nas escolas - apenas encoraja o público a refletir sobre suas muitas causas.

"Não queríamos explicar nada", disse ele. "Assim que você explica uma coisa, há cinco outras possibilidades que acabam sendo negadas porque você explicou a coisa de uma maneira. Além disso, havia o problema de encontrar uma explicação para algo que não necessariamente possui explicação."

Em filmes como Garotos de Programa e Gênio Indomável, Van Sant manifesta um fascínio por jovens que se aproximam da condição adulta. É um tema para o qual ele volta em Elephant.

"Tendo a achar que os personagens e as histórias teens são interessantes por uma série de motivos, pois é essa a fase da vida em que formulamos todas nossas idéias", explicou.


 

Reuters

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