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| Bertrand Bonello, Clara Choveaux e Thiago Teles |
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Dois atores brasileiros são destaque do filme francês Tiresia, do diretor Bertrand Bonello, que está competindo pela Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes. A exemplo de Carandiru, que traz Rodrigo Santoro no papel de um travesti, Tiresia também tem no elenco um personagem semelhante, só que uma mulher na pele de um transexual, a atriz Clara Choveaux, sensação desta terça-feira em Cannes. Na segunda metade do filme, o mesmo personagem é interpretado por um outro ator brasileiro, Thiago Teles. Alta, magra e com uma silhueta esbelta realçada por um vestido vaporoso e florido, Clara assumiu o papel de estrela na coletiva de imprensa do longa-metragem. Na verdade, ela nasceu em Assunção, Paraguai, mas viveu sempre no Brasil, entre Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, antes de radicar-se há pouco tempo em Paris, onde ainda vive do trabalho como garçonete. Estreou no cinema fazendo uma figuração justamente no filme anterior de Bonello, O Pornógrafo, e está entusiasmada para continuar a carreira. "Foi uma experiência inesquecível", afirmou ela a respeito do filme. Nascido em São Paulo, Thiago Teles também está morando em Paris e tentando a mesma coisa: continuar atuando. O filme conta a história do travesti que é sequestrado por um padre (Laurent Lucas) que o mantém preso em seu apartamento, para depois cegá-lo e abandoná-lo para morrer num bosque. Entretanto, ele é salvo por uma garota (Célia Catalifo) e passa a prever o futuro. Diretor conhece realidade brasileira Bertrand Bonello contou à imprensa que conhece a vida dos travestis brasileiros, principalmente dos que vão para a Europa. "É uma realidade social", disse o diretor. Quanto à divisão do mesmo personagem entre dois atores, o diretor contou que foi uma idéia que lhe ocorreu quando já tinham decorrido cinco semanas de filmagem. Mas isso acarretou uma nova dificuldade para a produção, porque o segundo ator deveria ter as mesmas características físicas de Clara, sem contar que deveria falar português com sotaque brasileiro. Sem experiência anterior, Thiago Teles foi um dos últimos a fazer o teste e ganhou o papel do cego que se torna oráculo e cujo nome (Tiresia) vem do adivinho grego que prevê a tragédia de Édipo em Édipo Rei. A bandeira brasileira também aparece em destaque no filme, afixada na parede do apartamento dos travestis enquanto eles conversam. O diretor explicou que decidiu colocar a bandeira do Brasil porque a viu nos apartamentos dos travestis brasileiros que visitou em Paris. Admitiu que considerou esse detalhe "um pouco excessivo", mas resolveu mantê-lo no filme como um toque meio documental do ambiente de seus personagens.
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