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O grito de alegria de Federico Fellini, Viva Il Cinema, está por toda parte onde se olha em Cannes. O festival resolveu render homenagem ao mestre italiano no décimo aniversário de sua morte.
O grito entusiasmado dado pelo mito do cinema quando recebeu a Palma de Ouro de Cannes por A Doce Vida está pintado em letras cor-de-rosa de dois andares de altura na fachada dos Palais des Festivals. Ele enfeita o pôster oficial do festival e cobre a frente de todas as camisetas de recordação do evento.
Vinte dos filmes do mestre italiano, em versões remasterizadas especialmente para a ocasião, estão sendo exibidos no festival, muitos deles no ambiente mágico de um cinema ao ar livre montado na praia.
Cineastas tecem louvores a Fellini em mesas-redondas. Há diversos documentários a seu respeito, incluindo um que chega ao ponto de mostrar detalhes de uma sequência num trem que foi planejada como final alternativo para Oito e Meio.
Fellini teria amado o ambiente brilhante e glamouroso -- assim como o próprio Festival de Cannes, ele adorava o bombástico e fantástico. "Fellini intensificava a realidade, a deixava maior do que era", contou seu amigo e biógrafo Gideon Bachmann.
A homenagem é duplamente apropriada porque Cannes, descrita como o playground de ricos e famosos, atua como ímã dos paparazzi, os fotógrafos de celebridades imortalizados em A Doce Vida.
O cineasta cinco vezes ganhador do Oscar, um dos maiores do século 20, morreu aos 73 anos, um dia depois de comemorar seus 50 anos de casamento ao lado de sua mulher e musa, a atriz Giulietta Masina.
Como os magnatas do cinema que compram e vendem seus sonhos em festas a bordo de iates de luxo ancorados no porto de Cannes, Fellini sempre se sentiu bem no mundo onírico do cinema.
Seu mundo de fantasia significava tudo para ele. "As coisas mais reais para mim são inventadas", ele confessou certa vez. "Longe do set, me sinto exilado, um pouco vazio. Não consigo lidar com aquilo ao qual chamam de existência normal".
Fellini com certeza teria adorado a ironia de A Doce Vida estar sendo revivido nesta cidade luxuosa da Riviera francesa, onde as lentes dos paparazzi dominam o cenário.
É que Fellini baseou um personagem do filme no fotógrafo Tazio Secchiaroli, que perseguia magnatas de cinema, reis depostos e nobres italianos na lendária Via Veneto, em Roma, captando-os desprevenidos com sua câmera.
O personagem no filme se chamava Paparazzo e esse nome acabou sendo imortalizado, usado para indicar a categoria de fotógrafos intrometidos que não dão sossego às celebridades do mundo, desde a princesa Diana até Madonna.
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