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O diretor americano Oliver Stone foi o responsável nesta quarta-feira pela Lição de Cinema do 56º Festival de Cannes, na qual evocou sua infância, suas experiências na Guerra do Vietnã, sua carreira e seus princípios para fazer bom cinema.
O autor de múltiplos retratos dos aspectos mais diversos dos Estados Unidos, como Wall Street, o rádio, o esporte, a violência e os presidentes John F. Kennedy e Richard Nixon, começou essa lição lembrando sua infância.
Ao falar de sua mãe, francesa, Stone lembrou que, "com freqüência, na segunda-feira, e às vezes também às quartas-feiras", "escapava" com ela para ver filmes em vez de ir a escola.
Em um francês muito aceitável e sem sotaque algum, o diretor comentou a paixão materna pela sétima arte, em particular pelos filmes de reis e princesas; o interesse de seu pai, mais cerebral, e os debates em sua casa quando os três voltavam do cinema.
Stone, que estudou na Universidade de Nova York depois de ficar 15 meses no Vietnã como soldado e antes como professor na fronteira com o Camboja, lembrou a confusão em que vivia quando voltou da guerra e a marca que deixaram em sua juventude o cinema da Itália e de França e cineastas como Fellini e Godard.
Convencido de que a vida lhe "ensinou tudo", o diretor, que trabalhou em várias profissões, entre eles a de taxista, antes de viver do cinema, considerou fundamental "ter uma vida antes de ser cineasta, pois caso contrário, disse, "pode-se fazer filmes sobre outros filmes", mas sem alma.
Lembrou que começou a converter-se em um verdadeiro cineasta quando seguiu o conselho de fazer algo pessoal, que lhe interessasse profundamente, e apresentou um filme sobre sua experiência na volta do Vietnã.
Como na lendária escola nova-iorquina de teatro Ator's Studio, explicou, os estudantes apresentavam suas obras em classe e recebiam as críticas de seus companheiros.
"O mais importante é que fazíamos filmes de três ou quatro minutos. Primeiro era preciso vender a idéia à classe e todo mundo estava era um pouco invejoso e competitivo. Era duro. Depois se fazia o curta, que era mostrado a todo o mundo. Isso era duro" também, disse Stone.
De seu trabalho como roteirista, para ele e para outros cineastas célebres, o cineasta americano disse que só se pode romper com as regras "quando se conhecem todas".
Sobre o trabalho com os atores, comentou que não faz nunca um roteiro pensando em um intérprete em particular, e que "quanto mais preparados estamos mais podemos improvisar", pois "quanto mais conhecem a cena que vão fimar os atores mais livres são".
Defensor do improviso, mas não a todo custo, disse que em suas filmagens "a cada dia chegamos e, se não há inspiração, fazemos o que está preparado e agimos como profissionais".
O diretor de Platoon e JFK comentou que gostaria "voltar a encontrar no cinema americano um cinema 'unificado', que crianças, jovens e velhos possam ver juntos".
Perguntado sobre o autor de Tiros em Columbine, Michael Moore, que prepara um documentário sobre as conexões entre as famílias do petróleo, incluída a do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e Osama bin Laden, Stone disse "ter gostado muito" de seu trabalho.
"A família Bush briga duro, não vai ser fácil fazer esse filme, sobretudo antes das eleições de 2004", disse Stone, que acaba de retornar de Cuba, e disse que seu presidente, Fidel Castro, protagonista de seu documentário Comandante, lhe fez revelações "incríveis".
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