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Da história de um pesadelo em uma cidadezinha a sagas familiares, passando por um drama dentro de uma prisão brasileira, Cannes 2003 mostrou uma coleção eclética de filmes. Mas apenas a três dias do final e com mais alguns filmes para serem exibidos antes da cerimônia de premiação de domingo, os críticos disseram que não há um favorito para a Palma de Ouro. "Sinceramente, não tenho a menor idéia", disse Todd McCarthy, da revista Variety. "Está sendo muito decepcionante. O ano passado foi bem mais forte." Dogville, do dinamarquês Lars von Trier, corre na frente, mas não foi todo mundo que gostou de sua história lúgubre, narrada em um cenário quase vazio. Além do mais, o fato de ele já ter ganhado em Cannes pode pesar contra. Alguns apóiam Carandiru, de Hector Babenco, filme que reúne narrativas brutais sobre o presídio de São Paulo. Baseado no livro do médico Drauzio Varella, o longa-metragem emocionou muita gente com o retrato da crueldade, abuso de drogas, Aids e assassinatos na prisão, implodida no final do ano passado. O maior aplauso foi para o canadense Les Invasions Barbares, de Denis Arcand, embora a história da família e amigos de um professor universitário se reunindo por ocasião de sua morte pode ser convencional demais para um festival mais dedicado a filmes de arte. Os intelectuais adoraram o turco Uzak, um estudo poderoso sobre um homem recluso de Istambul cuja vida vira de cabeça para baixo com a chegada de um primo desempregado. O júri de especialistas da revista de cinema Screen coloca Dogville como favorito por enquanto, com ``Uzak'' em segundo. "Dogville certamente está pairando sobre tudo, mas é difícil dizer como vai ser com o júri", disse McCarthy. "Carandiru parece ser a opção média e Invasions Barbares deve levar alguma coisa só porque é agradável de assistir. E Uzak deverá ficar com o prêmio de direção." Porém, ainda são aguardadas surpresas do respeitado cineasta britânico Peter Greenaway e da lenda de Hollywood Clint Eastwood.
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