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O bizarro diretor norte-americano Vincent Gallo ficou tão magoado com as reações implacáveis contra seu filme The Brown Bunny que prometeu abandonar o cinema. "Nunca mais vou dirigir um filme. Estou falando sério", disse Gallo à Reuters, depois que seu "road movie" teve uma recepção desastrosa no Festival de Cannes e ele foi vaiado em sua coletiva de imprensa. "Ser vaiado não foi legal. Não é legal que as pessoas sejam tão mesquinhas. Estou muito decepcionado", disse ele na madrugada da sexta-feira, num evento beneficente repleto de celebridades, cuja renda seria revertida para o combate à Aids. Gallo, que diz estar passando pela pior semana de sua vida, pediu desculpas aos financiadores do filme. "O filme é um desastre e foi uma perda de tempo. Peço desculpas aos financiadores, mas nunca foi minha intenção fazer um filme pretensioso, um filme auto-indulgente, um filme inútil, um filme que não agradasse a ninguém", disse ele. Os críticos gargalharam durante a exibição de The Brown Bunny, que Vincent Gallo escreveu, dirigiu, produziu e estrelou, e se indignaram com a cena de sexo oral altamente explícita do final. Muitos deles acharam intermináveis e monótonas as longas cenas passadas no carro, nas quais o tédio é aliviado apenas quando o motorista pára para fazer xixi ou escovar os dentes. A maioria achou o simbolismo do coelhinho de brinquedo simplesmente sem sentido. A revista de cinema Screen International qualificou o filme como o pior dos 20 trabalhos que competem pela Palma de Ouro este ano. "O desvario monumental de Vincent Gallo já se tornou um momento definidor na história de Cannes. As gerações futuras vão indagar, espantadas, 'onde você estava na noite em que exibiram The Brown Bunny?'", escreveu um dos críticos da revista na sexta-feira. Obviamente deprimido, Gallo disse que mal está conseguindo enfrentar seus amigos desde que os críticos reunidos em Cannes, entediados pelo que descrevem como uma safra pobre de filmes, começaram a detonar seu filme. "Se meu trabalho não é compreensível às pessoas, então eu fracassei em meu intento. Estou decepcionado porque, mais uma vez, o que eu gosto não é o do agrado das pessoas. Só posso pedir desculpas àquelas que acharem que perderam tempo (com meu filme)", disse o diretor. Alguns poucos críticos franceses, sempre mais receptivos aos esforços de intelectuais com os olhos voltados a seus próprios umbigos, aprovaram o filme de Gallo -- mas o diretor, desanimado, disse que a aprovação deles "é quase como sal esfregado numa ferida".
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