| Reuters |
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| A diretora Kawase Naomi e Hyodo Yuka acenam durante a exibição de Sharasojyu. |
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Com três filmes, o japonês Shara de Naomi Kawase, o francês Les cotelettes de Bertrand Blier e The tulse luper suitcases do britânico Peter Greenaway, terminou hoje (24) a exibição dos filmes que competem na seleção oficial do Festival de Cannes.
A imprensa especializada recebeu com tímidos aplausos o último filme de Greenaway, com uma longa vaia o do francês Blier e com indiferença o trabalho de Kawase.
A 56ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes termina amanhã com a escolha dos filmes vencedores e a entrega de seu prêmio máximo, a Palma de Ouro, além dos outros prêmios.
Segundo a crítica francesa e internacional, este ano o festival sofreu os efeitos da situação política mundial e de uma seleção deficiente dos filmes que deveriam competir na seleção oficial.
O filme de Greenaway, que faz parte de uma trilogia, é uma parábola sobre a situação do homem contemporâneo e das várias maneiras como ele é aprisionado: a prisão física, a obsessão, as ditaduras, a nostalgia, as convenções sociais, etc.
As três partes do filme cobrem 60 anos de História moderna. A narração começa em 1928 e acaba em 1989, depois da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria.
O protagonista do filme é Tulse Luper, um personagem cujas aventuras servem de eli de ligação para vincular acontecimentos e países durante grande parte do século passado.
Segundo Greenaway, seu filme faz parte de um ambicioso projeto que trabalha com as novas linguagens visuais e tudo que elas representam. "É uma combinação do velho e do novo, do tradicional e do moderno".
Entre os filmes mais conhecidos do diretor, estão Prospero's Book e O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e a amante.
O filme francês é baseado na peça teatral de mesmo título do próprio diretor Bertrand Blier e chega às telas seis anos após sua estréia nos palcos.
Seus protagonistas, Philippe Noiret e Michel Bouquet, são os mesmos que interpretaram os papéis de dois homens antagônicos no teatro.
Segundo Blier, grande parte das cenas são autobiográficas. Trata-se de dois anciãos que correm atrás das mulheres: um é anarquista de direita, o outro, um socialista moderado.
O resultado não está a altura das expectativas do diretor. Apesar de não ser sua intenção, a obra se parece muito com uma peça filmada. O que se salva são as magníficas atuações de Noiret e de Bouquet.
Shara é uma ode à histórica vila de Nara, antiga capital do Japão, e as suas tradições e costumes. Narra a história de uma família que fabrica tinta artesanalmente. Entre seus membros há dois gêmeos, sendo que um desaparece misteriosamente.
A partir desse momento, o filme se desenvolve mostrando os sentimentos dos protagonistas que fazem um contraponto com as imagens da cidade e de seus bairros.
Dos 20 filmes que concorrem à Palma de Ouro, apenas quatro foram recebidos calorosamente pela crítica especializada: o turco Uzak de Nuri Bilge Ceylan, Dogville do dinamarquês Lars Von Trier, Les invasions barbares do canadense Denys Arcand e Mystic river do americano Clint Eastwood.
Le film français, uma das publicações que acompanha habitualmente o andamento do festival, disse hoje: "Como em 2003, há anos em que, apesar do esforço de todos, nada dá certo". E acrescentou: "Este festival ficará na memória como uma edição de transição".
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