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Escolher um filme vencedor em Cannes nunca é tarefa fácil, mas o júri deste ano terá que optar entre filmes qualificados pela crítica como a seleção mais fraca da história do festival.
Os únicos filmes que se destacam -- os de Lars von Trier e de Peter Greenaway -- talvez sejam bizarros demais para um festival que adora o cinema de arte, mas não pode se dar ao luxo de ignorar o grande público.
Nenhum dos 20 filmes que competem pela Palma de Ouro, a ser entregue no domingo, se compara à nata dos últimos anos, como o oscarizado O Pianista, de Roman Polanski, a obra-prima finlandesa O Homem sem Passado e Dançando no Escuro, do próprio Von Trier.
Muitos críticos saíram no meio das sessões, e alguns filmes foram vaiados, incluindo o "road movie" interminável The Brown Bunny e Les Cotelettes, adaptação bizarra da peça de teatro homônima.
Uma pessoa que talvez nem sequer fique em Cannes até a cerimônia de entrega da Palma de Ouro é o esdrúxulo diretor de Brown Bunny, o americano Vincent Gallo, visto como o candidato com menos chances de conseguir o grande prêmio. Gallo chegou ao ponto de pedir desculpas aos financiadores do filme e a dizer que esta foi uma das piores semanas de sua vida.
Apostas mais prováveis
De acordo com o crítico Allan Hunter, da revista Screen International, mesmo os filmes do Afeganistão e do leste asiático, ansiosamente aguardados, não foram recebidos com entusiasmo.
Dogville, de Von Trier, que traz Nicole Kidman no papel de uma mulher frágil presa numa cidade de mentalidade bitolada, é o candidato mais óbvio à Palma de Ouro, se bem que nem todos tenham gostado tanto assim da lúgubre saga de três horas narrada pelo diretor independente dinamarquês num set minimalista.
"Mesmo quem odiou o polêmico filme de Von Trier acha que ele será o vencedor", disse o crítico Derek Malcolm, da Moving Pictures International. Muitos acham que o drama franco-canadense The Barbaric Invasions deve ganhar um prêmio, em vista da recepção emocionada que provocou. Os críticos gargalharam e choraram diante das cenas comoventes dos familiares, amigos e amantes de um professor universitário reunidos em torno de seu leito de morte. O filme foi ovacionado em pé durante 20 minutos.
Os críticos atribuíram ao filme uma chance de 3-1 de ganhar a Palma de Ouro, igual à que deram a Mystic River, de Clint Eastwood, ao brasileiro Carandiru, ao thriller La Piscine e a La Petite Lili.
Enquanto o público do festival começava a deixar Cannes, cansado após 10 dias de cinema intensivo, ninguém soube exatamente o quê pensar do bizarro banquete visual proporcionado pelo filme de Peter Greenaway The Tulse Luper Suitcases, Part 1: The Moab Story, exibido no sábado.
O filme, que acompanha seu herói numa viagem histórica e distorcida pelo mundo, brinca com a narrativa, o roteiro e visuais de vanguarda para resultar em algo que a maioria dos espectadores vai ou amar ou odiar -- sem meios-termos.
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