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O diretor Cacá Diegues recebeu na noite de quarta-feira (20) o troféu Eduardo Abelin pelo conjunto de sua obra. Visivelmente emocionado, o cineasta agradeceu a Nelson Pereira dos Santos, que estava na platéia, atribuindo ao filme Rio 40 Graus seu desejo de abraçar a profissão de cineasta.
Um dos pais do Cinema Novo e inventor da famosa expressão "patrulhas ideológicas" para definir aqueles que procuram dirigir a liberdade de expressão artística, Diegues, diretor de Deus é Brasileiro, declarou: "Meu maior orgulho nesta vida foi ser um cineasta brasileiro".
Numa platéia onde estavam alguns dos atores que mais freq entaram seus filmes, como Betty Faria, Zezé Mota, José Wilker e Antonio Pitanga, ninguém estranhou a demorada explosão de aplausos.
A negritude, tão presente na obra de Cacá Diegues em trabalhos como Ganga Zumba, Quilombo e Orfeu, foi lembrada não só pela exibição de trechos destes filmes na homenagem ao diretor, como evocada também pelo jovem cineasta paulista Jéferson De, um dos pais do Cinema Feijoada (que também já foi chamado de Dogma Feijoada), movimento que busca enfatizar a questão negra nas telas.
Foi de Jéferson o primeiro curta-metragem exibido na noite, Carolina, que recupera a trajetória da ex-empregada doméstica Carolina Maria de Jesus.
Interpretada de maneira sensível pela atriz Zezé Mota, a personagem recria na tela instantâneos de seu bruto cotidiano como favelada e empregada doméstica, mãe de uma filha de oito anos, que decide anotar num diário seus pensamentos, que darão origem ao livro Quarto de Despejo, publicado em 1960.
Exibido publicamente pela primeira vez, Carolina traz ainda raras imagens documentais da escritora, mostrando sua saída da favela e um encontro com o então governador paulista Adhemar de Barros.
Mas não se esquece também de contar que a protagonista morreu na miséria e doente, em 1977. A música Negro Drama, dos Racionais MCs, sobe a temperatura no final do curta, mostrando as garras de uma desigualdade racial ainda longe de ser resolvida no Brasil.
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