Brad Pitt faz o papel de Aquiles em Tróia, a adaptação de Wolfgang Petersen para A Ilíada, de Homero
Foto: Divulgação
Os grandes nomes voltam nas duas produções que estão sendo feitas sobre a saga de Alexandre, o Grande.
A dirigida por Oliver Stone (¿Platoon¿) deve se chamar ¿Alexander¿ nos Estados Unidos. Ela traz Colin Farrell loiro e Angelina Jolie como sua mãe, e deve estrear em novembro.
A versão de Baz Luhrmann (¿Moulin Rouge ¿ Amor em Vermelho¿) traz Leonardo di Caprio e Nicole Kidman nos papéis principais, e só deve sair no ano que vem.
E o ator e diretor Mel Gibson, que acabou de filmar ¿A Paixão de Cristo¿, um sucesso estrondoso de bilheteria, já anunciou também que seu próximo projeto é a filmagem da vida de Bodicea, uma guerreira que lutou contra os romanos na Inglaterra do primeiro século da era cristã.
Até as TVs entraram na onda dos épicos. A americana HBO e a britânica BBC estão produzindo juntas uma série chamada ¿Roma¿, e a ABC americana quer levar ao ar a série concorrente ¿Império¿.
O primeiro filme dos últimos tempos a evocar os épicos foi ¿Gladiador¿, em 2000, que rendeu vários Oscars e boa bilheteria, mas ainda não conseguiu convencer os estúdios de que essa era uma boa aposta.
Foram necessários vários episódios de ¿O Senhor dos Anéis¿, um épico fantástico, e não histórico, para que todos ficassem convencidos de que a grandiosidade paga, principalmente quando aliada aos efeitos especiais.
Alguns especialistas acreditam que as imagens criadas por computador são apenas a cereja do bolo. O cinema, na verdade, estaria sempre flertando com o épico, justamente por sua ¿grandiosidade¿.
Tome-se o exemplo de ¿Tróia¿.
¿A Ilíada ¿ quem já leu sabe ¿ é imagem em movimento¿, afirma André Malta, professor de literatura grega da USP e autor de ¿O Resgate do Cadáver. O Último Canto de Ilíada (Estudo e Tradução)¿. ¿Portanto, ela já era cinema antes de o cinema ser inventado¿.
O professor diz ainda que a filmagem da obra ¿com qualidade¿ demorou a sair por causa da grande receio em fracassar.
Tudo isso por causa da complexidade da produção, das dificuldades de adaptação e mesmo da veneração com que a obra é vista pela nossa cultura. ¿É o marco zero da literatura¿. ¿Claro que a tecnologia veio ajudar, tornando várias coisas mais fáceis, por exemplo, a imensa frota de naus gregas¿.
André Malta acha difícil que a filmagem das expedições gregas a Tróia, ou a onda de épicos em geral, tenha relação com a atual ¿expedição guerreira americana¿ no Iraque. ¿A Ilíada vale por sua reflexão sobre a condição humana, em contato e contraste com a divina. É muito mais do que simples defesa deste ou daquele ponto de vista do momento, embora o cinema americano seja ¿useiro e vezeiro¿ em separar tudo entre o bem e o mal...¿
O professor americano Brian Rose, da Universidade de Cincinnati, que participa das escavações do sítio arqueológico de Tróia, teme que os acontecimentos no Iraque talvez acabem deixando os americanos avessos aos épicos sanguinolentos.
¿Se a guerra no Iraque continuar por mais tempo, e se houver grandes batalhas que resultem na morte de muitos americanos e aliados, com câmeras mostrando os mortos nos campos de batalha, será interessante ver se esse tipo de filme vai continuar popular¿.
Brian Rose acredita que houve um grande vazio de épicos entre os anos 60 e o tempo recente por causa dos grandes custos envolvidos nesse tipo de filme. ¿Se você queria milhares de figurantes, tinha que pagar milhares de figurantes¿.
Ele diz que a tecnologia é a grande responsável pela volta dos épicos. ¿Você pode ter milhares de figurantes e pagar só uma centena. É só multiplica-los no computador¿.
O milagre da multiplicação dos figurantes deve permitir que filmes sobre histórias grandiosas e complexas possam voltar a ser feitos. Mas nada garante que as frotas de mais de mil navios não naufraguem na bilheteria.
- Redação Terra













Assista agora »
Assista agora »

