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Cinema

 
 

Linha Direta Justiça chega às lojas em DVD

24 de junho de 2004 17h20

O programa Linha Direta Justiça chega às lojas em DVD trazendo quatro reconstituições históricas de crimes que abalaram o País. São casos reais com anônimos e famosos que acabaram nas páginas policiais, a partir da história de quatro mulheres.

Os extras trazem entrevistas e depoimentos, sendo alguns inéditos. O jornalista e apresentador do programa, Domingos Meirelles, entrevistou as atrizes que interpretaram os papéis principais em cada caso e elas revelaram as dificuldades e a emoção de vivenciar personagens reais que tiveram sua trajetória marcada pela tragédia.

Também são mostradas reportagens feitas na época dos crimes com réus, amigos e familiares das vítimas e dos acusados, que contam suas angústias, dúvidas e versões. No caso da socialite Angela Diniz, será mostrada uma parte do primeiro julgamento de Doca Street, quando os advogados Evandro Lins e Silva e Evaristo de Moraes Filho travaram um duelo de defesa e de acusação até o momento da sentença do acusado, que também estará no DVD.

Outro destaque dos extras são as cenas da reconstituição do suposto sequestro de Dana de Teffé e do acidente de carro que matou Zuzu Angel, numa linguagem cinematográfica que mistura novela e jornalismo." Essa linguagem inovadora é um característica marcante do programa", afirma o diretor geral Milton Abirached. O músico Miltinho, do grupo MPB 4, aparece interpretando a música Angélica, parceria feita com Chico Buarque em homenagem à estilista.

Os Episódios
Zuzu Angel
O programa, que tem a atriz Zezé Polessa no papel da estilista Zuzu , mostra a vida em família e a busca pelo filho, o estudante Stuart Angel. Stuart desapareceu durante o movimento oposicionista na década de 70 e depois, segundo testemunhas, foi assassinado.

O Linha Direta reconstitui também o acidente de carro que culminou na morte da estilista, em 1976 Entre as personalidades que prestam depoimentos sobre o acidente e a trajetória de Zuzu, relembrando sua luta para encontrar o filho durante o regime militar, estão o ministro da Defesa José Viegas, o jurista Miguel Reale Junior (presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos, em 1998) e a cineasta Lúcia Murat , amiga de Stuart à época da militância. Também estão no programa o ex-deputado Vladimir Palmeira, o jornalista Zuenir Ventura - um dos amigos para quem Zuzu mandou uma carta dizendo que estava sendo ameaçada de morte -, e Ruth de Almeida Prado, amiga de Zuzu e a última pessoa a vê-la antes do acidente. Marcos Pires, o advogado que testemunhou o acidente da estilista e que mudou o rumo do inquérito quando o caso foi reaberto, em 1995, também contribui com seu depoimento, assim como a escritora Rose Marie Muraro e as jornalistas de moda e estilo Iesa Rodrigues, Heloisa Marra e Mara Caballero A filha da estilista, a jornalista Hildegard Angel, também faz um emocionado desabafo durante o programa.

Angela Diniz e Doca Street
Um dos mais estrondosos crimes ocorridos no Brasil na década de 70, o caso Angela Diniz é reconstituido mostrando como Raul Fernandes do Amaral Street, o Doca Street, matou com quatro tiros uma das mais famosas damas da sociedade da época, Angela Diniz, de 32 anos, conhecida como a "Pantera de Minas". O crime, motivado por ciúmes, aconteceu em Búzios no dia 30 de dezembro de 1976. Angela levou quatro tiros, três deles no rosto. Na época, Doca tinha 45 anos. O crime, praticado às vésperas do réveillon, atraiu a atenção de todo o país para o já badalado balneário de Búzios.

Para realizar o programa, a equipe do Linha Direta voltou a Búzios, 27 anos depois, entrevistou testemunhas e conversou com pessoas que de alguma forma se envolveram com o caso, como Ivanira Gonçalves, arrumadeira da casa onde o crime aconteceu. O programa também foi a Belo Horizonte, cidade natal de Angela, onde amigos e parentes falaram sobre a vida da "Pantera de Minas", sua personalidade e seus envolvimentos amorosos. No Rio de Janeiro, entrevistados como o deputado Fernando Gabeira, que lançou livro sobre o caso, e o jornalista Artur Xexéo, que cobriu o processo contra Doca, deram depoimentos sobre os julgamentos. O consultor de moda, Julio Rego, amigo do casal, também está presente no programa. O programa também gravou cenas da infância e adolescência de Angela em Belo Horizonte, quando, devido ao encantamento que despertava, ficou conhecida como "A Menina da Missa das Dez".

Há ainda a dramatização do envolvimento de Angela com Milton Villas Boas, um jovem engenheiro que ela conheceu em 1958, num baile de debutantes do clube da Pampulha. Milton foi o primeiro marido de Angela e com ela teve três filhos, em dez anos de convivência. Depois ela se envolveu com Tuca Mendes Júnior, herdeiro de uma das maiores fortunas do país na época. O caso não foi adiante e Angela foi morar no Rio, onde conheceu e passou a namorar Doca Street, o homem que se tornaria seu futuro assassino.

Fera da Penha
Interpretada pela atriz Alice Borges, Neyde tinha 22 anos quando conheceu Antônio numa estação de trem, no Rio de Janeiro, em 1959. Depois desse primeiro encontro, muitos outros aconteceriam. Durante três meses, Neyde e Antônio se viram quase todos os dias. Mas Antônio guardava um segredo: era casado e pai de duas filhas. Neyde desconfiava de alguma coisa.

Quando finalmente descobriu, através de um amigo de Antônio, o que o amante tentava esconder, deu uma semana para que ele abandonasse a mulher. Quando percebeu, meses depois, que Antônio não deixaria a família, decidiu se aproximar de Nilza, mulher dele. Fingindo ser uma antiga colega de colégio, Neyde conquistou a confiança e a amizade da mulher do amante. Na verdade, Neyde não suportava sentir-se rejeitada por Antônio e só pensava em vingança. Quando conheceu Taninha, de 4 anos, primeira filha do casal, identificou seu alvo.

No dia do crime, em 30 de junho de 1960, Neyde ligou para a diretora da escola onde Taninha estudava. Afirmando ser Nilza, mãe da menina, disse que não poderia buscar a filha e que mandaria uma vizinha pegá-la mais cedo. Quando Nilza foi até a escola para levar a merenda de Taninha, ela já tinha sido levada por Neyde. Antônio não desconfiava que a amante pudesse fazer alguma maldade com sua filha. Antes do crime, Neyde ficou seis horas com Taninha. Passou na casa de uma amiga, no bairro da Penha, e, por fim, numa farmácia, onde comprou uma garrafa de álcool. Às oito e meia da noite, Neyde levou Taninha para os fundos do matadouro da Penha e executou a menina com um tiro na cabeça. A assassina ainda pôs fogo no corpo da criança antes de abandonar o local.

Interrogada durante mais de 12 horas, Neyde negou todas as acusações. Porém, num desabafo com o radialista Saulo Gomes, contou todos os detalhes do crime. Neyde, que a partir de então passou a ser chamada de "Fera da Penha", foi condenada a 33 anos de prisão. Após cumprir 15, ganhou a liberdade. Hoje, vive num apartamento modesto no subúrbio do Rio. Os jornalistas Ruy Castro, Arnaldo Niskier, Sergio Cabral e José Louzeiro também paraticipam do programa com depoimentos preciosos sobre o caso.

Dana de Teffé
Dana de Teffé, interpretada pela atriz Claudia Provedel, saiu do Rio de Janeiro no dia 29 de junho de 1961 com destino a São Paulo e nunca mais foi vista. A milionária, nascida na Tchecoslováquia, estava na companhia do seu advogado Leopoldo Heitor, acusado na época pelo seu desaparecimento. Ele apresentou três versões para o sumiço de Dana. A Justiça considerou o advogado inocente e, entre 1963 e 1971, ele enfrentou quatro julgamentos.

Foi condenado no primeiro a quase meio século de prisão, mas foi absolvido nos três últimos. Dana chegou ao Brasil em 1951, depois de dois casamentos desfeitos. Ela conheceu o advogado Leopoldo Heitor em 1956, quando ele passou a representá-la na separação do diplomata Manuel de Teffé. Leopoldo ficara famoso e ganhara o apelido de "advogado do diabo" pela condenação do tenente Alberto Bandeira, envolvido no caso que ficou conhecido como o crime da rua Sacopã. Leopoldo Heitor já tinha sido processado por peculato e estelionato, mas mesmo assim tinha a total confiança de Dana. A última pessoa a ver Dana foi a amiga Malisa.

No dia seguinte ao desaparecimento, Leopoldo deu entrada num hospital para cuidar de um ferimento à bala na perna. Ele usou um nome falso e pediu ao médico que não comentasse o fato com ninguém. Dias depois, Leopoldo, a mulher dele Verinha e os dois filhos se mudaram para o apartamento de Dana de Teffé. Com uma procuração, Leopoldo Heitor vendeu o apartamento de sua cliente. Nove meses depois do sumiço de Dana, Leopoldo já tinha embolsado o equivalente hoje a meio milhão de reais. Menos de um ano depois, o advogado seria preso, acusado de ter matado Dana para roubá-la. Após duas fugas, Leopoldo foi condenado a 49 anos de prisão. Em 1964, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou a sentença de Leopoldo Heitor e o mandou a um novo julgamento. Desta vez, ele foi julgado pelo Tribunal Popular na cidade de Rio Claro, interior do Rio de Janeiro.

O próprio Leopoldo Heitor assumiu a tribuna para se defender. Ele foi absolvido de todos os crimes. O promotor apelou e pediu a anulação do julgamento. Até janeiro de 1971, Leopoldo foi submetido a dois novos julgamentos. Os dois em Rio Claro e em ambos ele foi absolvido. Depois de nove anos preso, Leopoldo conseguiu a liberdade definitiva e voltou a advogar no centro do Rio. O jornalista Carlos Heitor Cony e Jorge Audi, que cobriram o caso, dão depoimentos ao programa.

O DVD tem preço médio de R$ 47,00

Redação Terra