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 Sugar Ray Leonard: Hugh Jackman foi aluno perfeito para filme
01 de fevereiro de 2012 14h50 atualizado às 15h16

O lendário boxeador ao lado do protagonista de 'Gigantes de Aço', a quem ensinou suas técnicas. Foto: Getty Images

O lendário boxeador ao lado do protagonista de 'Gigantes de Aço', a quem ensinou suas técnicas
Foto: Getty Images

David Shalom

Sugar Ray Leonard é uma lenda viva do boxe. Com a carreira iniciada no final da década de 1970 e, entre pausas, finalizada 20 anos depois, o ex-lutador detém alguns dos principais recordes do esporte - como o de único pugilista da história a ser campeão em cinco categorias diferentes da modalidade. No entanto, hoje, aos 55 anos, ele vive uma realidade bem distante daquela que o consagrou. Longe dos ringues, atuou em filmes para televisão e cinema - o último, O Lutador, indicado ao Oscar -, e, mais recentemente, descobriu a carreira de consultor de lutas para produções hollywoodianas, com o passo inicial dado no longa Gigantes de Aço, dos estúdios Dreamworks, que chega às locadoras brasileiras na próxima quarta-feira (8).

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"Foi minha primeira vez coreografando uma cena de luta e, curiosamente, fiz isso com alguém que nunca chegou a ser lutador", disse Leonard em entrevista exclusiva ao Terra. "Tenho que dizer que Hugh Jackman (o protagonista do longa) foi um aluno perfeito. Ele realmente me ouviu atentamente e conseguiu digerir tudo o que lhe passei, levando esses ensinamentos com perfeição às telas".

Situado no ano de 2020, o longa conta a história de Charlie Kenton (Jackman), um ex-boxeador que decide entrar no mundo das violentas lutas entre robôs, o grande sucesso da década futurista. Contudo, durante sua busca pelo sucesso, ele descobre ser pai de Max (Dakota Goyo), filho gerado por uma ex-namorada, recentemente morta. Foi esse o script responsável por atrair Leonard para um ofício com o qual nunca teve qualquer experiência - e sequer pensou em ter.

"Esses dois personagens me passaram desde o início um sentimento muito especial, me trouxeram à mente muitas lembranças, afinal eu vivi algo parecido", afirmou, explicando que ele também precisou dar um passo para trás em sua carreira de boxeador quando se tornou pai. "Para um filho, basta seu tempo. Ele só deseja que você o ame, que lute por ele. Esse filme acaba mostrando um pouco da minha vida e acho que o principal motivo para ter funcionado tão bem é que ele toca no coração. Você passa a ter sentimentos pelo robô, pelo garoto...é tudo sobre sentimentos".

Derrubando o estrelismo
O trabalho de Sugar foi basicamente ensinar e ensaiar com o protagonista de Gigantes de Aço as técnicas necessárias para que ele pudesse passá-las para seu objeto de treino, um enorme robô, e deixá-lo, ao mesmo tempo e da forma mais convincente possível, parecido com um ex-atleta profissional. "É muito diferente trabalhar com um boxeador e um ator, ainda mais com um como Jackman, um astro do cinema. Para isso funcionar, é necessário que ele se esqueça de seu status de estrela e aprenda a se comportar como um estudande, como um lutador. E é preciso muito para isso. Muito mesmo".

O cargo de consultor nunca foi um objetivo para Leonard. De fato, assim como os trabalhos com atuação, a oportunidade apareceu de repente à sua frente. Quem o contatou foi seu amigo Stacey Snider, um dos sócios dos Estúdios Dreamworks, que o via como peça fundamental para o ofício. Inesperadamente, no entanto, o ex-boxeador acabou tomando gosto extremo pelo trabalho, o primeiro desde a aposentadoria que de fato o aproxima do mundo do esporte, onde passou a maior parte de sua vida.

"Sabe, eu cheguei a uma idade em que meu lema se tornou: contanto que esteja me divertindo, fazendo o que curto, estou feliz. O boxe é minha vida e essas oportunidades incríveis simplesmente caíram no meu colo. Amo este universo, verdadeiramente me divirto trabalhando nele e, sempre que aparece algo, abraço com todas as minhas forças", comemora demonstrando toda a sua vontade de seguir carreira no entretenimento.

Mas, se precisasse optar apenas por uma entre elas, Sugar Ray Leonard escolheria mergulhar no mundo da dramaturgia ou se concentrar em seus bastidores? A resposta vem de forma direta: "eu gostei de ser consultor. Sabe, eu posso fazer os dois, atuando de vez em quando também, mas passei por momentos tão bons em Gigantes de Aço que agora mal posso esperar para fazer outros trabalhos como esse".

Terra