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 Longa dirigido por Angelina Jolie ganha destaque em Berlim
16 de fevereiro de 2012 18h55 atualizado em 19 de fevereiro de 2012 às 23h49

Atriz de 36 anos dirigiu longa retratando um romance fictício em meio à Guerra da Bósnia. Foto: Getty Images

Atriz de 36 anos dirigiu longa retratando um romance fictício em meio à Guerra da Bósnia
Foto: Getty Images

Angelina Jolie já está acostumada a roubar a atenção em eventos. Desta vez, no entanto, na edição de 2012 do Festival de Cinema de Berlim, ela se destaca pela primeira vez como diretora - tanto que a mídia já o apelidou de Jolienale, um trocadilho com Berlinale, seu nome popular.

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O polêmico longa In the Land of Blood and Honey (Na Terra do Sangue e do Mel, em tradução livre), que marca a estreia Angelina como diretora, retrata uma história de amor entre uma muçulmana e um sérvio em meio à guerra na Bósnia, ocorrida na década de 1990.

Críticas
Na vida real, a história fictícia provocou muitas reações negativas. Ainda assim, apesar de ter sido muito criticada pelas violentas cenas de guerra apresentadas na produção, a diretora discorda delas.

"A guerra foi muito mais violenta e, na verdade, não há como mostrar o horror verdadeiro no filme, passar a sensação de como é estar na guerra", disse Jolie, de 36 anos. "Por isso, achei que deveríamos mesmo ter ido longe o bastante para deixar as pessoas sentirem o que foi o conflito".

As críticas mais duras partiram da República Sérvia, uma das entidades que divide a Bósnia e Herzegovina. De acordo com reportagens locais, a cineasta teria tido a intenção de abolir a República com o longa e, assim, inverdades teriam sido mostradas, como retratar cidadãos locais como genocidas e estupradores.

Por outro lado, para membros de associações de vítimas da outra entidade política do país, a Federação da Bósnia e Herzegovina, o filme mostra o que realmente aconteceu com as mulheres na guerra. Essa é a opinião de Enisa Salcinovic, presidente da associação de prisioneiros do cantão Sarajevo.

"Quando se assiste a partir do nosso ponto de vista, o das vítimas, é preciso dizer que 99% dos acontecimentos do filme correspondem aos fatos reais ocorridos no início da guerra, assim como aqueles que se sucederam nos quatro anos seguintes de agressão", afirmou.

Contudo, nem todas as associações de vítimas pensam da mesma forma. Para Bakira Hasecic, da Associação Mulheres Vítimas da Guerra, por exemplo, In the Land of Blood and Honey também contém cenas que ofenderiam profundamente as vítimas.

"Não se podia levar à tela tudo isso que se passou conosco. Mas o amor entre um criminoso de guerra e uma vítima não aconteceu e nem poderia ter acontecido durante a agressão à Bósnia e Herzegovina", criticou Hasecic.

Previsível
Jolie já sabia que o filme provocaria tais reações, afinal o tema é espinhoso e, passados apenas 16 anos do fim do conflito, nem todas as feridas sararam. Mesmo assim, ela optou por rodá-lo para servir de exemplo crítico a toda a violência do tipo, além de chamar a atenção da comunidade internacional que, para ela, é a grande culpada pela guerra.

"Eu queria mostrar como esse país era antes da guerra com personagens que dessem ao público alguém com quem se identificar. O filme acaba se tornado simbólico para a região", declarou.

De acordo com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia e a Organização das Nações Unidas (ONU), a Guerra da Bósnia teve como consequência a morte de cerca de 100 mil pessoas. Ainda segundo o levantamento, 50 mil mulheres foram violentadas durante o conflito e diversas famílias acabaram expulsas de suas casas.

Deutsche Welle
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