- Beatriz Carrasco
- Direto de Gramado
Diferente de seu nome, O que se Move é um filme sobre a imobilidade. Primeiro longa-metragem de Caetano Gotardo, o diretor mostrou coragem ao lidar com a experiência do tempo. Com enfoque no universo feminino e suas dores, a narrativa é fragmentada em três histórias independentes, extraídas de notícias que chamaram a atenção do cineasta no início dos anos 2000.
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Antes da exibição do filme, na sexta noite do 40º Festival de Cinema de Gramado, a experiente produtora Sara Silveira alertou o público sobre a densidade da trama. ¿É uma violência delicada¿, observou ela sobre a história de três mães que sofrem drásticas perdas em relação aos filhos: o jovem que se mata ao descobrirem que ele estava envolvido com pedofilia, o bebê que é esquecido dentro do carro e morre, e um recém-nascido sequestrado, que é encontrado 16 anos depois.
Gotardo coloca uma lupa no mundo que cerca os personagens, com enquadramentos que partem da visão deles próprios. As cenas longas e focadas dão a sensação de tempo presente, envolvendo o espectador em seus dramas psicológicos. "A extensão do tempo ajuda a refletir e a aproveitar a imagem", pontuou Sara. "Queria que isso se contaminasse à linguagem do filme, das lacunas, do fora de quadro, do inapreensível", acrescentou o diretor.
Sem querer ter um olhar fatalista sobre o que já é trágico, Gotardo usou recursos para conferir mais lirismo aos três fragmentos. Como os diálogos não são explicativos, no ápice de cada história as atrizes cantam de forma narrativa, situando o espectador com mais detalhes. Com som direto e sem dublagem, as canções contribuem com um afastamento da realidade. O filme "é sobre o estado de estar vivo e perceber a espessura do mundo", completou o diretor.

