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'O Artista' quebra barreiras e se torna grande vencedor do Oscar 2012

27 fev 2012
01h43
atualizado às 03h22
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Nunca na história do Oscar um filme de língua não inglesa havia sido tão prestigiado. Mas, como regras servem para ser quebradas, o francês O Artista derrubou barreiras, superou A Invenção de Hugo Cabret, recordista em indicações da noite, e se sagrou o grande vencedor dos prêmios da Academia de Ciências Cinematográficas neste domingo (26), em Los Angeles, na Califórnia.

Filme mudo e em preto e branco que já havia conquistado prêmios nas principais competições do cinema pré-Oscar, o longa de Michel Hazavicius levou cinco estatuetas no total, sendo três entre as quatro principais categorias da premiação: melhor filme, melhor ator (Jean Dujardin) e melhor diretor (Michel Hazanavicius).

O Oscar 2012 também consagrou Meryl Streep, 62 anos, que recebeu seu terceiro prêmio de melhor atriz por sua atuação como Margaret Tatcher em A Dama de Ferro. A atriz norte-americana é a recordista em indicações ao Oscar, com 17 aparições.

Disputa acirrada
Apesar ter sido considerado favorito na premiação de 2012 desde antes do anúncio dos indicados, no dia 24 de janeiro, O Artista teve um concorrente bastante forte na disputa, impedindo, assim, que qualquer especialista cravasse qual seria o grande vencedor da noite. De fato, A Invenção de Hugo Cabret não só foi indicado a mais categorias - 11 contra 10 - como iniciou a noite conquistando prêmio atrás de prêmio.

De cara, o filme em 3D dirigido por Martin Scorsese levou estatuetas por fotografia e direção de arte. Na sequência, ainda vieram os prêmios por efeitos visuais, som e edição de som - o último da produção, que deixou a cerimônia com um total de cinco estatuetas.

O número de prêmios foi exatamente o mesmo do longa-metragem francês, mas as comparações param por aí. Se Hugo, com seu visual riquíssimo e enredo mais voltado para jovens, levou apenas prêmios técnicos, O Artista conquistou as estatuetas mais prestigiadas da noite - diretor, ator e filme, além de trilha-sonora e figurino.

Apesar de ser conhecida como uma premiação que reconhece produções estrangeiras - e não apenas na categoria específica com esse nome -, o Oscar nunca havia dado uma estatueta de melhor filme para um trabalho francês. Tampouco quando se tratando de uma produção muda e em preto e branco.

Nada de Carnaval
O samba de Carlinhos Brown não teve apelo suficiente diante dos membros da Academia. A despeito de ter apenas um adversário na categoria canção original, Real in Rio, parte da trilha-sonora da animação Rio, composta em parceria com Sergio Mendes, não conseguiu superar os simpáticos bonecos de Os Muppets - O Filme, fazendo o Brasil deixar a cerimônia do Oscar mais uma vez de mãos abanando.

No entanto, não parecia necessário o anúncio do prêmio para ficar claro que Brown sairia derrotado do Teatro Kodak. Bem antes da entrega da categoria, os personagens do longa-metragem da Walt Disney Pictures Caco e Pinky dialogaram em frente às câmeras para dar um ar mais descontraído ao evento - deixando clara a empatia dos organizadores com eles.

Pouco depois, os comediantes Will Ferrel e Zach Galifianakis subiram ao palco para entregar a estatueta de canção, dando clara ênfase à produção dos fantoches.

Boas novas
Não foi só O Artista que ficou marcado pelo caráter de ineditismo na 84ª edição do Oscar. Na categoria melhor ator coadjuvante, por exemplo, Christopher Plummer, de 82 anos, recebeu a primeira estatueta de sua vida após mais de cinco décadas dedicadas à profissão. Ele foi honrado por sua atuação em Toda Forma de Amor.

Foi a categoria filme estrangeiro, no entanto, que viu os mais profundos rompimentos de barreiras da noite. A produção iraniana A Separação conquistou a estatueta e se tornou a primeira do país a vencer no evento. O drama familiar, que relata a ruptura de um casamento no Irã contemporâneo, superou a produção polonesa In Darkness, que aborda o holocausto judeu na II Guerra Mundial. O Irã, que vive período de tensão com o Ocidente, já havia perdido um Oscar anos atrás, quando, em 1998, viu Filhos do Paraíso ser derrotado para o italiano A Vida é Bela, de Roberto Benigni.

Outro fator curioso ocorreu logo no início da cerimônia, após o anúncio de Octavia Spencer como vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Histórias Cruzadas. Ovacionada pelo público, que a aplaudiu em pé, a artista de 41 anos subiu ao palco aos prantos, sem sequer conseguir ler seu discurso de agradecimento. A bela recepção de seus pares, aliada à surpresa de Spencer com o prêmio, tornaram o momento um dos mais emocionantes da noite.

Confira a lista dos premiados:

Melhor Filme
O Artista

Melhor Atriz
Meryl Streep, por A Dama de Ferro

Melhor Ator
Jean Dujardin, por O Artista

Melhor Atriz Coadjuvante
Octavia Spencer, por Histórias Cruzadas

Ator Coadjuvante
Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor

Melhor Diretor
Michel Hazanavicius, por O Artista

Melhor Edição
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres

Melhor Documentário
Undefeated

Melhor Documentário em Curta-Metragem
Saving Face

Melhor Animação
Rango

Melhor Trilha Sonora
O Artista

Melhor Canção Original
Man or Muppet, de Os Muppets (Bret McKenzie)

Melhor Roteiro Original
Meia-noite em Paris

Melhor Roteiro Adaptado
Os Descendentes

Melhor Som
A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Edição de Som
A Invenção de Hugo Cabret

Melhores Efeitos Visuais
A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Curta-Metragem de Animação
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

Melhor Curta-Metragem
The Shore

Melhor Filme Estrangeiro
A Separação

Melhor Maquiagem
A Dama de Ferro

Melhor Figurino
O Artista

Melhor Direção de Arte
A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Fotografia
A Invenção de Hugo Cabret

O elenco do longa francês reunido no palco do Teatro Kodak, onde ocorreu a 84ª edição da premiação
O elenco do longa francês reunido no palco do Teatro Kodak, onde ocorreu a 84ª edição da premiação
Foto: AFP

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