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Oscar 2004
Segunda, 1 de março de 2004, 18h44 
África do Sul saúda Oscar de Charlize Theron
 
Reuters
Charlize Theron ganhou o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação em  Monster
Charlize Theron ganhou o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação em Monster
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O Oscar de melhor atriz dado a Charlize Theron foi o assunto do dia em seu país nativo, a África do Sul, na segunda-feira, atraindo aplausos de fãs que saudavam a garota criada numa comunidade rural como exemplo a ser seguido por sua vitória nos prêmios da Academia.

O presidente Thabo Mbeki liderou o país ao parabenizar Theron, que deixou a cidadezinha de Benoni ainda adolescente para tentar realizar seu sonho de virar estrela.

Em comunicado à imprensa divulgado após a entrega dos Oscar, no domingo, Mbeki disse: "Nesse filme nós a vemos utilizando sua força inata e sua garra emocional para superar as circunstâncias pessoais trágicas de sua própria vida pregressa, de modo a brilhar."

Quando Charlize Theron tinha 15 anos, sua mãe, Gerda, matou a tiros seu pai, Charles, em defesa própria, quando ele voltou para casa embriagado e furioso, ameaçando atirar na mulher e na filha.

"Em sua própria vida pessoal, Theron representa uma metáfora da passagem da África do Sul da agonia à realização", disse o presidente Mbeki.

Charlize Theron recebeu o Oscar pelo retrato que fez da serial killer Aileen Wuornos, uma personagem verídica, no drama Monster, para o qual precisou mascarar sua beleza para representar o cansaço e o desânimo de uma prostituta de beira de estrada.

Sua vitória a impele em direção ao topo do grupo de atrizes mais importantes de Hollywood. E hoje ela também é uma das celebridades sul-africanas mais conhecidas mundialmente, ao lado dos laureados com o Prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela e Desmond Tutu e dos ganhadores do Nobel de Literatura Nadine Gordimer e J.M. Coetzee.

A atriz de 28 anos, que trocou o sotaque sul-africano pelo inglês americano, não se esqueceu de seu país quando recebeu a estatueta de ouro em Hollywood, na noite de domingo.

"Vou agradecer a todos na África do Sul, meu país, disse Theron. "Estão todos assistindo hoje, e vou levar este prêmio para casa na semana que vem."

MODELO A SER SEGUIDA
A esperança de Oscar de Charlize Theron vinha sendo notícia das primeiras páginas sul-africanas havia semanas. Os jornais saíram em busca de detalhes sobre a infância dela, passada em Benoni, uma comunidade de classe trabalhadora branca situada a 35 quilômetros a leste de Johanesburgo.

Na escola primária onde ela estudou, a Putfontein Primary, antigamente aberta apenas a alunos brancos, Theron inspirou os alunos dos subúrbios negros pobres a buscar fama em Hollywood.

"Ela é ótima atriz. Estou muito feliz por ela ter conseguido o Oscar. Quero ser cantora", comentou a estudante Bernice Nyembe, de 13 anos.

Theron deixou Benoni para estudar numa escola interna, fez balé e, aos 14 anos, começou a trabalhar como modelo.

Em seguida, foi a Hollywood, onde, depois de atuar em vários filmes sem destaque, conseguiu o papel principal de Monster, para o qual precisou engordar 14 quilos e usar uma dentadura torta e lentes de contato escuras, para mascarar seus próprios olhos reluzentes.

A incipiente indústria de cinema sul-africana, que movimenta 1,2 bilhão de dólares por ano, espera que a vitória de Theron ajude a fazê-la crescer.

"Charlize provou que existe talento, profundidade e beleza extrema (entre as atrizes locais). Esperamos que ela possa virar modelo a ser seguido pelo cinema sul-africano", disse à Reuters Martin Cuff, da Comissão de Cinema do Cabo. "Acho que a oportunidade que temos aqui é muito grande."

Ironicamente, os fãs de Theron em sua cidade natal terão que deslocar-se até Johanesburgo para vê-la no papel que lhe valeu o prêmio.

A distribuidora sul-africana de Monster não vai exibir o filme em Benoni, tendo considerado a cidade pobre demais para apreciar o trabalho da atriz que ali nasceu.
 

Reuters

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