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Problemas pessoais ajudaram Selton Mello a atuar em 'Jean Charles'

25 jun 2009
07h13
atualizado em 27/1/2011 às 21h06

Selton Mello passou pelo momento mais conturbado de sua vida enquanto filmava

Selton Mello diz que estava confuso durante filmagens de Jean Charles
Selton Mello diz que estava confuso durante filmagens de Jean Charles
Foto: Divulgação

Jean Charles

, no ano passado, e isso fica claro nas telas. O próprio ator reconhece que está diferente neste longe. "Quando eu assisti ao filme foi como ver outra pessoa atuando", contou ele em entrevista ao

Terra

. "Eu estava vulnerável".

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Segundo o ator, parte dessa vulnerabilidade se deve ao fato de, na época das gravações, ter cortado os remédios para emagrecer, que tomava há dez anos. "Foi um negócio bem avassalador para a cabeça. Cortei os remédios quando consegui enxergar que estavam me fazendo muito mal", explicou. "Isso se juntou ao sentimento de inadequação. Eu estava confuso, em crise com a profissão, me sentindo mau ator, feio e triste".

A análise o ajudou a se encontrar novamente. "Eu já recuperei esse desejo de atuar. Sempre fui um workaholic, mas agora quero desacelerar. Quero ter tempo para viver, andar de bicicleta, ler e me conhecer melhor".

O problema pessoal de Selton Mello emprestou ao filme Jean Charles algo especial, afinal, o rapaz morto na estação Stockwell, em Londres, após ser confundido com terroristas, também estava vulnerável, longe de sua família, em um país desconhecido.

Leia a entrevista completa com Selton Mello:

Você passou por um período de depressão. Isso atrapalhou as filmagens de Jean Charles?
No ano passado eu estava confuso e em crise com a profissão. Tomei remédios para emagrecer durante dez anos por causa do trabalho e isso foi um negócio bem avassalador para a minha cabeça. Em 2008, cortei esses remédios, finalmente tinha conseguido enxergar que estavam me fazendo muito mal. Jean Charles foi o auge disso. Eu já era esse cara que tinha parado de tomar os remédios, que estava confuso, me sentindo mal ator, feio, triste, em um país que não era o meu. E esse sentimento emprestou algo ao personagem que fugia ao meu controle. Quando assisti ao filme foi como assistir a outra pessoa atuando.

Por que você decidiu falar da depressão agora?
Eu poderia estar mentindo aqui, falar que eu engordei 20 quilos para o papel, mas não, eu tava ruim da cabeça, estava vulnerável. É libertador poder falar sobre isso abertamente. Eu estou fazendo análise, coisa que eu nunca fiz na vida, e está sendo fabuloso.

Em que você pretende mudar?
Sempre fui um workaholic e essa mudança não vai ser da noite para o dia. É louco estar dizendo que quero trabalhar menos com esse monte de filme estreando (Jean Charles, A Erva do Rato e A Mulher Invisível), mas na verdade esses são trabalhos que fiz no ano passado. Em 2009 eu só fiz uma participação na Espanha de quatro dias de filmagens e filmei com o Mauro Lima por 17 dias. Quero ter tempo para viver, andar de bicicleta, ler, me conhecer melhor. Meu ritmo de trabalho é muito frenético, até porque eu sou apaixonado pelo o que eu faço.

Mas você já conseguiu se encontrar?
Já recuperei o desejo de atuar. Estou com vontade de dirigir, escrever. Estou com um projeto que escrevi para dirigir e atuar e agora não sei se vou adiante. A história é sobre um palhaço que está triste com a profissão. Ele faz as pessoas rirem, mas quem o faz rir? É tão pessoal que estou na dúvida se vou fazer.

Por que decidiu fazer Jean Charles?
Conhecia o Jean Charles como todo mundo, só o lado da tragédia, e me interessei em contar a história de quem era esse cara, o que ele fazia.

Você teve acesso a algo pessoal de Jean Charles?
Não. Só fotos e o que as pessoas me contavam. Tudo o que eu fiz faz parte de dados que eu tinha. Todo mundo dizia que ele era um cara para cima. Simples, mas ambicioso. O sonho dele era ser chefe, ter um Porsche. Os dados eram bons para eu brincar. O cara saiu de Gonzaga, que já é uma cidade pequena, e dentro dela tem um pequeno cafundó de onde ele era. O cara era da roça. Passou por São Paulo e ganhou um traquejo meio "mano". Por mais triste que ele tivesse, ele não demonstrada. Colocava todo mundo para cima.

Você já passou por alguma situação de desconforto fora do Brasil?
Já. Há uma cena em que Jean Charles está em um orelhão e liga para mãe, depois chora de saudades. Eu já vivi muito isso.




Fonte: Redação Terra

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